Atividade: O livro Didático em Comênio
Entre outras contribuições, Comênio foi um dos primeiros a desenvolver livros didáticos para o ensino. O mais famoso desses é o “Orbis Pictus” (“O mundo em imagens”). Nesta atividade faremos uma pequena análise da proposta comeniana que foi publicada em 1658, tornando-se uma novidade nas escolas da Europa.
Após visualização de uma dessas páginas e as leituras dos textos indicados “Vida e obra de Comênio” de João Luiz Gasparin (1994); “Didática Magna – Tratado da arte Universal de ensinar tudo a todos (saudação ao leitor e índice)” e “A metodologia tem história” de Joahnnes Doll e Teresinha Dutra da Rosa Russel, respondendo as duas questões, fiz a seguinte análise:
Acredito que o material devia ser apresentado à època, na frente do quadro, numa classe de alunos dispostos em fileiras, sendo que a ênfase seria dada com uma régua grande de madeira apontando para a escrita. Embora trouxesse o desenho, esse seria pouco enfatizado, a título de ilustração, em segundo plano. Penso que o professor era o detentor daquele saber e devia também enfatizar essa sabedoria frente aos alunos. Penso ainda que devia haver uma cobrança na lembrança da frase, da ação e não propriamente da figura, mas que essa seria invocada sempre que fosse exigida a grafia da frase, da ação.
Nossas salas de aula hoje são de uso coletivo. E os turnos da manhã, tarde e noite trazem alfabetos com figuras e letras em suas diversas grafias.
Geralmente nas salas de alfabetização encontramos a ordem alfabética na parede. Em alguns casos os alunos é que grafam as letras em seus variados tipos gráficos e desenham a figura representativa, do seu contexto; em tantos outros casos as figuras são recortadas e coladas pelos professores, sem uma prévia pesquisa com os alunos para que citem palavras das suas vivências, do seu cotidiano.
Como exemplo quero citar um alfabeto de uma escola de educação infantil, da turma de pré-escolar de 5/6 anos: a professora fez recortes de animais e colou em cada letra. Salvo uns dois ou três animais que encontramos aqui na nossa localidade, os outros eram todos distantes dos alunos, como elefante, urso, tamanduá, girafa. Para a letra i a figura foi um “índio”!? E para as letras k, y e w foram colocados meninos ou meninas com nomes estrangeiros tipo Yuri, Wiliam e Kétlin, (ao menos esses nomes penso que sejam dos alunos da sala, não sei...).
Não bastasse tudo isso, um tanto fora da realidade dos alunos e da identidade indígena, ainda foi colado bem próximo do teto, local onde não é possível os alunos tatearem, tocarem, contornarem as letras e animais ali constantes.
Conforme Comênio diz no Índice da Didática Magna na línea VII “a formação do homem se faz com muita facilidade na primeira idade” e a escola infantil é um momento de primeiros anos escolares, vejo que poderia ser mais “proveitoso alfabeticamente” se o contexto de vida, a realidade dos alunos fossem trazidos para a formação desse mesmo alfabeto, e que ele fosse colocado ao alcance da mão dos alunos.
Mas, voltando ao questionamento inicial, encontramos em todos os livros didáticos e até nas ações dos professores alfabetizadores o uso dessa prática da associação de figuras e letras, figuras e palavras. E também é de bastante uso a carta enigmática, onde aparece o sujeito em figura e o restante da escrita em grafemas.
Joahnnes Doll traz sua fala sobre o livro “Orbis Pictus”, “Comênio juntou gravuras, frases simples, sons e letras num único livro, onde o aluno possa aprender a ler, escrever e conhecer o mundo a partir da visualização”.
Ainda hoje fazemos isso, pois procuramos mostrar a escrita relacionada ao visual, com a intenção de informar que aquilo que está desenhado pode ser escrito, como uma forma de motivar, atrair o olhar, a atenção do nosso aluno, pensando ser uma maneira mais prazerosa de apreensão da língua escrita nos primeiros anos escolares, em especial o momento da alfabetização.
Paulo Freire traz essa fala em seu livro Pedagogia da Autonomia, 1996: “É próprio do pensar certo a disponibilidade ao risco, a aceitação do novo que não pode ser negado ou acolhido só porque é novo, assim como o critério de recusa ao velho não é apenas cronológico, o velho que preserva sua validade ou que encarna uma tradição ou marca uma presença no tempo continua novo”.
Penso que essa fala encerra bem essa atividade.
Bibliografia:
DOLL, Joahannes; ROSA RUSSEL, Teresinha Dutra da. A metodologia tem história.
GASPARIN, João Luiz. Comênio ou da Arte de Ensinar Tudo a Todos. Campinas. Papirus, 1994, p. 41-42.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo. Paz e Terra, 1996.
Este blog tem a obrigação de conter as minhas reflexões a cerca dos estudos feitos em cada interdisciplina estudada no curso de Pedagogia à Distância da Ufrgs.
sábado, 19 de setembro de 2009
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Atividades em Sala de Aula
Criei um novo work para resgitrar algumas atividades realizadas na escola Dietschi, nesse ano de 2009. Para ver alguns dos nossos trabalhos, clique aqui.
sábado, 25 de julho de 2009
Descobertas
Enfim, descobri o que não consegui acertar ainda em termos de grupo!
Já dediquei algumas postagens aqui sobre o assunto, e agora consegui entender o que me chateia na coisa toda de trabalho em grupo: não é apresença física que me faz falta.
O que sinto falta nesses trabalhos de grupo que realizamos até agora é a comunicação!
Em quase todas as conversas virtuais que procuro tecer, não há retorno pelos colegas. Posto várias coisas, teço algumas conversas mas ninguém me retorna.
Por exemplo, o nosso último PA, do final de junho para cá, não houve nenhuma comunicação da parte das colegas comigo. Minhas considerações finais do trabalho foram escritas e não houveram respostas... nenhuma das colegas dialogou comigo, e isso é o que me deixa insatisfeita com esses trabalhos!
Na verdade não existe comunicação entre a gente...
Já dediquei algumas postagens aqui sobre o assunto, e agora consegui entender o que me chateia na coisa toda de trabalho em grupo: não é apresença física que me faz falta.
O que sinto falta nesses trabalhos de grupo que realizamos até agora é a comunicação!
Em quase todas as conversas virtuais que procuro tecer, não há retorno pelos colegas. Posto várias coisas, teço algumas conversas mas ninguém me retorna.
Por exemplo, o nosso último PA, do final de junho para cá, não houve nenhuma comunicação da parte das colegas comigo. Minhas considerações finais do trabalho foram escritas e não houveram respostas... nenhuma das colegas dialogou comigo, e isso é o que me deixa insatisfeita com esses trabalhos!
Na verdade não existe comunicação entre a gente...
sábado, 27 de junho de 2009
Trabalhando em Grupo
Numa noite dessas visitei o portfólio da colega Maria de Lurdes, e me chamou a atenção a postagem intitulada "Estou ficando antissocial" onde a mesma se reporta aos trabalhos em grupo como algo difícil de realizar...
Pois eu também ali comecei a me pensar "antissocial": ainda não consegui realizar um único trabalho de grupo que me satisfizesse realmente!
Aliás nossos trabalhos em grupo desde o início do Pead, lá em 2006, nunca foram muito "em conjunto". Já entendi que o fato de estudarmos á distância nos permite essa não-presença física, e também compreendi que a não-presença física não significa necessariamente que o trabalho não seja conjunto!
Mas, como já disse numa outra oportunidade, eu tenho necessidade de estar em contato com o outro. De conversar mais próximo, de trocar muita conversa, de muito contato físico, olho-no-olho...
Mas sei que assim como eu, todas nós temos muito pouco tempo disponível para essas trocas em conjunto. Então, várias vezes estou aqui de bobeira meia noite, madrugada e não posso fazer muito das propostas de grupo, pois minhas colegas não podem ser fazer presente virtualmente nesse tempo praticamente único que tenho on-line!
Talvez, possamos crescer mais ainda em nossas tarefas presenciais não físiscas!
Ainda estou meio descrente!
Stela, 21.45 de 27/06/09
Pois eu também ali comecei a me pensar "antissocial": ainda não consegui realizar um único trabalho de grupo que me satisfizesse realmente!
Aliás nossos trabalhos em grupo desde o início do Pead, lá em 2006, nunca foram muito "em conjunto". Já entendi que o fato de estudarmos á distância nos permite essa não-presença física, e também compreendi que a não-presença física não significa necessariamente que o trabalho não seja conjunto!
Mas, como já disse numa outra oportunidade, eu tenho necessidade de estar em contato com o outro. De conversar mais próximo, de trocar muita conversa, de muito contato físico, olho-no-olho...
Mas sei que assim como eu, todas nós temos muito pouco tempo disponível para essas trocas em conjunto. Então, várias vezes estou aqui de bobeira meia noite, madrugada e não posso fazer muito das propostas de grupo, pois minhas colegas não podem ser fazer presente virtualmente nesse tempo praticamente único que tenho on-line!
Talvez, possamos crescer mais ainda em nossas tarefas presenciais não físiscas!
Ainda estou meio descrente!
Stela, 21.45 de 27/06/09
Filosofando em duplas...
Tarefa das mais árduas para mim foi essa interdiscplina!
Nada, nenhuma atividade foi fácil, e todas elas exigiram muito de pesquisa, de leitura e de pensar, repensar, fazer e refazer, retomar...
A última atividade, realizada em duplas foi mesmo de "doer"!
Talvez nem tenha ainda conseguido digeri-la quanto mais tirar dali aprendizadens visíveis...
A tarefa dois, que foi a resposta as perguntas da colega Fabiana Sparremberger vai aqui registrada:
1. Kant afirma que “o homem é a única criatura que precisa ser educada, pois tem necessidade da sua própria razão e precisa formar por si mesmo o projeto da sua conduta”. Essa afirmação nos permite pensar que seja através da educação que o homem vai garantir a sua conduta.
Adiante Kant fala no impedimento das inclinações animais que poderão ser desviadas através da disciplina, que só será garantida ao homem pela instrução educativa, obrigando-o a retornar a humanidade e não o permitindo voltar-se a selvageria.
Adorno enfatiza que Auschwitz foi a barbárie à qual toda educação se opõe. E assim como Kant, enfatiza que a barbárie impele aos homens até o indescritível.
A estrutura básica da sociedade de tendência extremamente poderosa possibilita alterar os pressupostos objetivos políticos e sociais dos indivíduos, conforme Adorno explicita.
Relacionando o pensamento dos dois autores acredito que ambos crêem na educação como forma única e possível de garantia da humanidade em todos os homens, para que tantas atrocidades acontecidas e citadas, como Auschwitz e outras tantas barbáries que ouvimos diariamente pelos noticiosos, não mais sejam permitidas.
Adorno ainda acrescenta que “a sociedade incumbe aos indivíduos tendências desagregadoras sob a superfície da civilidade, pois a pressão do geral predomina à particularidade”. Adorno ainda diz que as pessoas que se enquadram cegamente em coletividades transformam-se em algo análogo à matéria bruta e omitem-se como seres autodeterminantes, de caráter manipulativo. E continua: “aquilo que exemplificava apenas alguns monstros nazistas ainda pode ser observado hoje”, pois há um grande número de delinqüentes juvenis, chefes de quadrilhas e similares, que povoam os noticiários diariamente.
Kant reforça que a “única verdadeira força contra a barbárie (Auschwitz), seria a autonomia, a força da reflexão para a autodeterminação, para a não-participação”. Assim a educação ensina ao homem alguma coisa e, por outro lado, não faz mais que desenvolver nele certas qualidades, visto que não se pode prever até aonde nos levariam as nossas disposições naturais.
2.O homem tem necessidade de cuidados e de formação. A formação compreende a disciplina e a instrução e os cuidados entendem-se as precauções que os pais tomam para impedir que as crianças façam uso nocivo de suas forças.
Kant ainda reforça que “a selvageria independe de qualquer lei, mas que a disciplina submete os homens as leis da humanidade e começa a fazê-lo a sentir as próprias leis. E que isso deve acontecer bem cedo. É preciso acostumá-lo logo a submeter-se aos preceitos da razão”.
Assim a educação deve ser dada aos indivíduos, conforme Adorno, na primeira infância.
Adorno diz que é necessária uma volta ao sujeito, e que a educação só teria sentido como educação para a autorreflexão crítica, trabalhando-se contra a inconsciência, pois ao conhecer os mecanismos que tornam os homens capazes de seus atos violentos, é possível que haja então uma reação, para que essas condições não voltem a ocorrer.
Adorno vai além e diz que a estrutura da sociedade atual está na busca do interesse próprio de cada um, contra o interesse de todos, e é o que vemos acontecer diariamente a nossa volta: as pessoas não mais se preocupam com o outro, estão somente em busca de coisas para si. Não há mais um interesse de que o outro viva bem e feliz e que se possa tomar parte nessa felicidade.
Enfim, após essas colocações dos autores conseguimos entender a necessidade de se educar para a volta à humanidade que deve ser lapidada em todo e qualquer indivíduo, através do ato educativo.
2.3 Avaliação das perguntas elaboradas pela colega: elas ajudaram a compreender a relação entre os dois textos?
Os textos apresentados “A educação após Auschwitz” de Adorno e o primeiro capítulo do livro de Kant “Sobre a Pedagogia” foram de leitura muito densa para mim, de difícil entendimento. Li e reli várias vezes, apontei anotações, marquei falas, enfim, busquei tirar alguma compreensão dessas leituras. Mas foi uma tarefa muito árdua, não sei se consegui muito progresso.
As buscas às respostas solicitadas pela colega me levaram novamente a debruçar-me sobre os dois textos e nem por isso foi uma tarefa mais fácil! O que ficou mais claro foi o fato de rever de novo, reler, retomar e repensar o já pensado uma, duas vezes.
Talvez eu precise ainda de muito mais tempo, de muito mais leitura e de muito mais filosofia para poder escrever o que de fato compreendi desses textos.
As perguntas da colega me levaram a muitas indagações, por muitos caminhos dentro do texto. Várias foram as vezes que fui de um lado e voltei para o outro pensando que ali estava a resposta certa. Isso pelo menos exercitou meu poder de ir e voltar em busca de algo mais claro.
Na verdade, com essa atividade o que mais me possibilitou foi voltar várias vezes às leituras, e entender que a resposta certa pode ser uma ou outra, depende do ponto de vista e do entendimento de cada um, e que tudo pode ser respondido se a argumentação for boa, caso contrário, não acrescenta muita coisa em favor de aprendizagem.
Nada, nenhuma atividade foi fácil, e todas elas exigiram muito de pesquisa, de leitura e de pensar, repensar, fazer e refazer, retomar...
A última atividade, realizada em duplas foi mesmo de "doer"!
Talvez nem tenha ainda conseguido digeri-la quanto mais tirar dali aprendizadens visíveis...
A tarefa dois, que foi a resposta as perguntas da colega Fabiana Sparremberger vai aqui registrada:
“É preciso aprender a ser coerente. De nada adianta o discurso competente se a ação pedagógica é impermeável à mudança.”
(Edna Castro de Oliveira prefaciando Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire, 1996).
A presente atividade consiste na comparação do texto de Adorno “A educação após Auschwitz” com o primeiro capítulo do livro de Kant “Sobre a Pedagogia”.
2.1 Perguntas feitas pela colega Fabiana Sparremberger:
1 – Segundo Kant “O homem não pode se tornar um verdadeiro homem senão pela educação. Ele é aquilo que a educação dele faz.”, como você relaciona esta citação com o texto de Adorno em que relata diversas barbáries ocorridas em nossa sociedade?
2 - Adorno nos diz que “no principio da civilização está implícita a barbárie”, e Kant nos afirma que o “homem vem ao mundo em estado bruto” e ainda precisa projetar sua conduta. A partir destas afirmações em que momento deve se dar a educação? Relacione os textos e comente:
2.2 Minhas Respostas às referidas perguntas:
(Edna Castro de Oliveira prefaciando Pedagogia da Autonomia de Paulo Freire, 1996).
A presente atividade consiste na comparação do texto de Adorno “A educação após Auschwitz” com o primeiro capítulo do livro de Kant “Sobre a Pedagogia”.
2.1 Perguntas feitas pela colega Fabiana Sparremberger:
1 – Segundo Kant “O homem não pode se tornar um verdadeiro homem senão pela educação. Ele é aquilo que a educação dele faz.”, como você relaciona esta citação com o texto de Adorno em que relata diversas barbáries ocorridas em nossa sociedade?
2 - Adorno nos diz que “no principio da civilização está implícita a barbárie”, e Kant nos afirma que o “homem vem ao mundo em estado bruto” e ainda precisa projetar sua conduta. A partir destas afirmações em que momento deve se dar a educação? Relacione os textos e comente:
2.2 Minhas Respostas às referidas perguntas:
1. Kant afirma que “o homem é a única criatura que precisa ser educada, pois tem necessidade da sua própria razão e precisa formar por si mesmo o projeto da sua conduta”. Essa afirmação nos permite pensar que seja através da educação que o homem vai garantir a sua conduta.
Adiante Kant fala no impedimento das inclinações animais que poderão ser desviadas através da disciplina, que só será garantida ao homem pela instrução educativa, obrigando-o a retornar a humanidade e não o permitindo voltar-se a selvageria.
Adorno enfatiza que Auschwitz foi a barbárie à qual toda educação se opõe. E assim como Kant, enfatiza que a barbárie impele aos homens até o indescritível.
A estrutura básica da sociedade de tendência extremamente poderosa possibilita alterar os pressupostos objetivos políticos e sociais dos indivíduos, conforme Adorno explicita.
Relacionando o pensamento dos dois autores acredito que ambos crêem na educação como forma única e possível de garantia da humanidade em todos os homens, para que tantas atrocidades acontecidas e citadas, como Auschwitz e outras tantas barbáries que ouvimos diariamente pelos noticiosos, não mais sejam permitidas.
Adorno ainda acrescenta que “a sociedade incumbe aos indivíduos tendências desagregadoras sob a superfície da civilidade, pois a pressão do geral predomina à particularidade”. Adorno ainda diz que as pessoas que se enquadram cegamente em coletividades transformam-se em algo análogo à matéria bruta e omitem-se como seres autodeterminantes, de caráter manipulativo. E continua: “aquilo que exemplificava apenas alguns monstros nazistas ainda pode ser observado hoje”, pois há um grande número de delinqüentes juvenis, chefes de quadrilhas e similares, que povoam os noticiários diariamente.
Kant reforça que a “única verdadeira força contra a barbárie (Auschwitz), seria a autonomia, a força da reflexão para a autodeterminação, para a não-participação”. Assim a educação ensina ao homem alguma coisa e, por outro lado, não faz mais que desenvolver nele certas qualidades, visto que não se pode prever até aonde nos levariam as nossas disposições naturais.
2.O homem tem necessidade de cuidados e de formação. A formação compreende a disciplina e a instrução e os cuidados entendem-se as precauções que os pais tomam para impedir que as crianças façam uso nocivo de suas forças.
Kant ainda reforça que “a selvageria independe de qualquer lei, mas que a disciplina submete os homens as leis da humanidade e começa a fazê-lo a sentir as próprias leis. E que isso deve acontecer bem cedo. É preciso acostumá-lo logo a submeter-se aos preceitos da razão”.
Assim a educação deve ser dada aos indivíduos, conforme Adorno, na primeira infância.
Adorno diz que é necessária uma volta ao sujeito, e que a educação só teria sentido como educação para a autorreflexão crítica, trabalhando-se contra a inconsciência, pois ao conhecer os mecanismos que tornam os homens capazes de seus atos violentos, é possível que haja então uma reação, para que essas condições não voltem a ocorrer.
Adorno vai além e diz que a estrutura da sociedade atual está na busca do interesse próprio de cada um, contra o interesse de todos, e é o que vemos acontecer diariamente a nossa volta: as pessoas não mais se preocupam com o outro, estão somente em busca de coisas para si. Não há mais um interesse de que o outro viva bem e feliz e que se possa tomar parte nessa felicidade.
Enfim, após essas colocações dos autores conseguimos entender a necessidade de se educar para a volta à humanidade que deve ser lapidada em todo e qualquer indivíduo, através do ato educativo.
2.3 Avaliação das perguntas elaboradas pela colega: elas ajudaram a compreender a relação entre os dois textos?
Os textos apresentados “A educação após Auschwitz” de Adorno e o primeiro capítulo do livro de Kant “Sobre a Pedagogia” foram de leitura muito densa para mim, de difícil entendimento. Li e reli várias vezes, apontei anotações, marquei falas, enfim, busquei tirar alguma compreensão dessas leituras. Mas foi uma tarefa muito árdua, não sei se consegui muito progresso.
As buscas às respostas solicitadas pela colega me levaram novamente a debruçar-me sobre os dois textos e nem por isso foi uma tarefa mais fácil! O que ficou mais claro foi o fato de rever de novo, reler, retomar e repensar o já pensado uma, duas vezes.
Talvez eu precise ainda de muito mais tempo, de muito mais leitura e de muito mais filosofia para poder escrever o que de fato compreendi desses textos.
As perguntas da colega me levaram a muitas indagações, por muitos caminhos dentro do texto. Várias foram as vezes que fui de um lado e voltei para o outro pensando que ali estava a resposta certa. Isso pelo menos exercitou meu poder de ir e voltar em busca de algo mais claro.
Na verdade, com essa atividade o que mais me possibilitou foi voltar várias vezes às leituras, e entender que a resposta certa pode ser uma ou outra, depende do ponto de vista e do entendimento de cada um, e que tudo pode ser respondido se a argumentação for boa, caso contrário, não acrescenta muita coisa em favor de aprendizagem.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
ORIGENS ÉTNICO-RACIAIS NA DIETSCHI
Trago aqui o trabalho que apresentei na Dietschi e estamos desenvolvendo nesses meses de junho e julho sobre as questões étnico-raciais:
Stela Maris da Rosa Dias*
Vivemos em tempos atuais que nos exigem rever nossas práticas pedagógicas
Nossas origens étnicas foram assim deturpadas e negadas ao longo de quinhentos anos, enganando-nos enquanto nos faziam acreditar que os primeiros habitantes moradores das terras brasileiras, donos da diversidade natural que os abrigava e múltiplos em sua cultura, eram mostrados como meros “bobos da corte”, pintando os corpos, dançando ritmos aos deuses, e aceitando presentes para embelezar-se.
Por centenas de anos vivemos uma catequização caricata que nos instruía a ver e a mostrar nossa origem afro-brasileira como escravos da cor, diminuídos na sua essência por terem sido arrancados das suas vidas no continente africano, deixando para traz suas famílias, suas culturas, sua Cidade, sua história individual e coletiva de povo, trazidos escravos. Parece que só esse fato já explicava a não-aceitação das nossas origens afro-brasileiras. Como disse Darcy Ribeiro (2000) “o brasilíndio como o afro-brasileiro existiam numa terra de ninguém, etnicamente falando, e é a partir dessa carência essencial para livrar-se da ninguemdade de não-índios, não-europeus e não-negros que se vêem forçados a criar a sua própria identidade étnica: a brasileira”.
Conforme as autoras Ana Maria Petersen, Maria Aparecida Bergamaschi e Simone Valdete dos Santos “a escola hoje precisa instigar a origem étnica daquele que não é mencionado, que fica à margem”. A partir dessas reflexões e leituras dos enfoques temáticos, estudados na interdisciplina Questões Étnico-Raciais: sociologia e História, elaboro o seguinte planejamento a ser desenvolvido em nossa escola, com os alunos do Currrículo Por Atividades:
2. Saber de onde vieram seus familiares e quais as características físicas herdadas, reconhecendo em si e nos seus parentes essas mesmas características.
3. Confeccionar um painel de fotografias da família, coletando fotos e identificando seus parentes e características herdadas, ali encontradas.
4. Construir mapa político das cidades de origem das famílias e também dos países originários, destacando esses locais no mapa e legendando-os.
5. Construir um gráfico de barras das origens.
6. Pesquisar sobre as peculiaridades desses lugares específicos.
7. Entender que cada indivíduo faz parte de um grupo familiar e étnico-racial, resgatando assim a sua importância dentro daquele grupo e necessidade de perpetuar a história de cada povo, com todas as suas nuances históricas e sociais.
8. Promover um resgate da auto-imagem e auto-estima dos alunos afro-descendentes da nossa escola, através do resgate da identidade étnica das suas origens.
9. Permitir aos professores e alunos uma reflexão da formação do povo brasileiro, que traz em sua essência uma variedade de características físicas e culturais herdadas dos antepassados e conhecer as lutas desses em favor do reconhecimento e da importância dos povos formadores da nossa brasilidade.
10. Resgatar e enfatizar a importância do povo negro e do índio na nossa formação cultural, com as contribuições agregadas à cultura brasileira.
Através de uma roda de conversas iniciaremos nosso bate-papo sobre as origens étnico-raciais de cada aluno. Antecipadamente enviarei aos pais uma entrevista com as seguintes perguntas:
1. O que sabem sobre a origem racial da sua família, tanto do pai quanto da mãe? De onde vieram seus antepassados, avós, bisavós?
2. Quais histórias e ensinamentos ouviram de seus pais a respeito de suas origens?
3. Quais hábitos e costumes cultivam na sua casa, como parte da cultura herdada das suas origens?
4. O que sabem sobre a história da sua família e o que julgam ser muito importante que seus filhos saibam?
5. Com quem seu filho ou sua filha se parece?
6. Sua família já sofreu algum tipo de preconceito em função da sua etnia racial?
7. Onde nasceram o pai e a mãe?
8. Onde nasceu o aluno?
9. Por que vieram morar aqui em Rondinha?
De posse dessas respostas então faremos nossa conversa sobre a origem da cada aluno.
Também pedirei que cada família mande uma ou mais fotografias para montarmos um painel: “Quem somos nós?”
Enquanto estivermos na roda de conversa, manuseando as fotos, vamos identificando quem está ali fotografado e com quem mais se parece nas feições físicas. Vamos descobrir então os parentes, retomando, com ênfase na origem étnico-racial: cor, características físicas e local de origem.
Após essa conversa e a montagem do painel, vamos registrar num texto informativo as nossas considerações a cerca da família de cada um.
Então destacaremos num mapa Múndi a origem de cada aluno: o local de nascimento, o local onde nasceram seus pais, avós e bisavós, e o local originário étnico-racial. Destacando também nosso Município e a Rondinha, legendando-os conforme combinarmos.
Após essas atividades haverá uma leitura coletiva sobre o “nosso mapa”, com o objetivo de levá-los ao entendimento de que cada um é importante na sua individualidade e que faz parte de um coletivo na sua família, nas suas origens, na sua cultura, na sua raça, enfim, na sua história e na história de todos. E que todos e cada um devem ser respeitados nas suas origens e na sua história. Enfatizando especialmente a importância do povo negro e do povo indígena na formação do povo brasileiro.
Depois vamos registrar num gráfico de barras as origens da turma.
Então vamos pesquisar na biblioteca peculiaridades importantes sobre os povos africanos e indígenas, comparando com o que nós já sabemos, encontramos e conhecemos aqui na Rondinha, em nossas casas e famílias, na nossa vida diária e que são herdados de nossos antepassados.
Professora do 1º e 2º anos do ensino fundamental de 9 anos da escola Professor Dietschi.
Rondinha – Junho/2009
ORIGENS
ÉTNICO-RACIAIS
DOS
NOSSOS ALUNOS
ÉTNICO-RACIAIS
DOS
NOSSOS ALUNOS
Stela Maris da Rosa Dias*
Vivemos em tempos atuais que nos exigem rever nossas práticas pedagógicas
em sala de aula, no que tange ao estudo das nossas origens étnico-raciais. Vimos de uma escola que nos ensinou (a nós professores) que as etnias aqui existentes ao tempo das colonizações foram meramente utilizadas pelos então colonizadores portugueses primeiro para a tomada das terras brasileiras, no caso os índios, e depois para mão de obra escrava, então os negros africanos.
Nossas origens étnicas foram assim deturpadas e negadas ao longo de quinhentos anos, enganando-nos enquanto nos faziam acreditar que os primeiros habitantes moradores das terras brasileiras, donos da diversidade natural que os abrigava e múltiplos em sua cultura, eram mostrados como meros “bobos da corte”, pintando os corpos, dançando ritmos aos deuses, e aceitando presentes para embelezar-se.
Por centenas de anos vivemos uma catequização caricata que nos instruía a ver e a mostrar nossa origem afro-brasileira como escravos da cor, diminuídos na sua essência por terem sido arrancados das suas vidas no continente africano, deixando para traz suas famílias, suas culturas, sua Cidade, sua história individual e coletiva de povo, trazidos escravos. Parece que só esse fato já explicava a não-aceitação das nossas origens afro-brasileiras. Como disse Darcy Ribeiro (2000) “o brasilíndio como o afro-brasileiro existiam numa terra de ninguém, etnicamente falando, e é a partir dessa carência essencial para livrar-se da ninguemdade de não-índios, não-europeus e não-negros que se vêem forçados a criar a sua própria identidade étnica: a brasileira”.
Conforme as autoras Ana Maria Petersen, Maria Aparecida Bergamaschi e Simone Valdete dos Santos “a escola hoje precisa instigar a origem étnica daquele que não é mencionado, que fica à margem”. A partir dessas reflexões e leituras dos enfoques temáticos, estudados na interdisciplina Questões Étnico-Raciais: sociologia e História, elaboro o seguinte planejamento a ser desenvolvido em nossa escola, com os alunos do Currrículo Por Atividades:
Objetivos:
1. Conhecer as origens étnico-raciais que compõem as famílias das turmas, bem como conhecer algumas histórias e/ou ensinamentos que seus familiares ouviram sobre seus antepassados.
1. Conhecer as origens étnico-raciais que compõem as famílias das turmas, bem como conhecer algumas histórias e/ou ensinamentos que seus familiares ouviram sobre seus antepassados.
2. Saber de onde vieram seus familiares e quais as características físicas herdadas, reconhecendo em si e nos seus parentes essas mesmas características.
3. Confeccionar um painel de fotografias da família, coletando fotos e identificando seus parentes e características herdadas, ali encontradas.
4. Construir mapa político das cidades de origem das famílias e também dos países originários, destacando esses locais no mapa e legendando-os.
5. Construir um gráfico de barras das origens.
6. Pesquisar sobre as peculiaridades desses lugares específicos.
7. Entender que cada indivíduo faz parte de um grupo familiar e étnico-racial, resgatando assim a sua importância dentro daquele grupo e necessidade de perpetuar a história de cada povo, com todas as suas nuances históricas e sociais.
8. Promover um resgate da auto-imagem e auto-estima dos alunos afro-descendentes da nossa escola, através do resgate da identidade étnica das suas origens.
9. Permitir aos professores e alunos uma reflexão da formação do povo brasileiro, que traz em sua essência uma variedade de características físicas e culturais herdadas dos antepassados e conhecer as lutas desses em favor do reconhecimento e da importância dos povos formadores da nossa brasilidade.
10. Resgatar e enfatizar a importância do povo negro e do índio na nossa formação cultural, com as contribuições agregadas à cultura brasileira.
Desdobramentos em sala de aula:
Através de uma roda de conversas iniciaremos nosso bate-papo sobre as origens étnico-raciais de cada aluno. Antecipadamente enviarei aos pais uma entrevista com as seguintes perguntas:
1. O que sabem sobre a origem racial da sua família, tanto do pai quanto da mãe? De onde vieram seus antepassados, avós, bisavós?
2. Quais histórias e ensinamentos ouviram de seus pais a respeito de suas origens?
3. Quais hábitos e costumes cultivam na sua casa, como parte da cultura herdada das suas origens?
4. O que sabem sobre a história da sua família e o que julgam ser muito importante que seus filhos saibam?
5. Com quem seu filho ou sua filha se parece?
6. Sua família já sofreu algum tipo de preconceito em função da sua etnia racial?
7. Onde nasceram o pai e a mãe?
8. Onde nasceu o aluno?
9. Por que vieram morar aqui em Rondinha?
10. Sabem a origem do sobrenome dos pais?
De posse dessas respostas então faremos nossa conversa sobre a origem da cada aluno.
Também pedirei que cada família mande uma ou mais fotografias para montarmos um painel: “Quem somos nós?”
Enquanto estivermos na roda de conversa, manuseando as fotos, vamos identificando quem está ali fotografado e com quem mais se parece nas feições físicas. Vamos descobrir então os parentes, retomando, com ênfase na origem étnico-racial: cor, características físicas e local de origem.
Após essa conversa e a montagem do painel, vamos registrar num texto informativo as nossas considerações a cerca da família de cada um.
Então destacaremos num mapa Múndi a origem de cada aluno: o local de nascimento, o local onde nasceram seus pais, avós e bisavós, e o local originário étnico-racial. Destacando também nosso Município e a Rondinha, legendando-os conforme combinarmos.
Após essas atividades haverá uma leitura coletiva sobre o “nosso mapa”, com o objetivo de levá-los ao entendimento de que cada um é importante na sua individualidade e que faz parte de um coletivo na sua família, nas suas origens, na sua cultura, na sua raça, enfim, na sua história e na história de todos. E que todos e cada um devem ser respeitados nas suas origens e na sua história. Enfatizando especialmente a importância do povo negro e do povo indígena na formação do povo brasileiro.
Depois vamos registrar num gráfico de barras as origens da turma.
Então vamos pesquisar na biblioteca peculiaridades importantes sobre os povos africanos e indígenas, comparando com o que nós já sabemos, encontramos e conhecemos aqui na Rondinha, em nossas casas e famílias, na nossa vida diária e que são herdados de nossos antepassados.
Professora do 1º e 2º anos do ensino fundamental de 9 anos da escola Professor Dietschi.
Rondinha – Junho/2009
Questões Étnico-Raciais em sala de aula
“O brasilíndio como o afro-brasileiro existiam numa terra de ninguém, etnicamente falando, e é a partir dessa carência essencial para livrar-se da ninguemdade de não-índios, não-europeus e não-negros que se vêem forçados a criar a sua própria identidade étnica: a brasileira”. (Darcy Ribeiro - 2000)
A execução em sala de aula do planejamento do Enfoque 5, deu-se em mais tempo do que as oito horas exigidas, continuando ainda em processo, visto que as atividades vão-se expandindo e é necessário mais tempo.
“A escola hoje precisa instigar a origem étnica daquele que não é mencionado, que fica à margem” conforme falam as autoras Ana Maria Petersen, Maria Aparecida Bergamaschi e Simone Valdete dos Santos.
Após as reflexões e leituras dos enfoques temáticos, apresentei meu planejamento à supervisão da Escola Dietschi, onde trabalho, solicitando que me oportunizassem colocar esse planejamento para as outras duas professoras do turno, onde trabalhamos com os anos iniciais dessa escola. Foi muito bem recebida minha proposta, e logo na semana seguinte então apresentamos às colegas o planejamento do trabalho das origens étnico-raciais dos alunos da escola Professor Dietschi.
O referido planejamento foi muito bem aceito e ali mesmo já trocamos algumas idéias de como executarmos nós três esse trabalho. No outro dia novamente nos envolvemos com a proposta: eu trouxe dois livros didáticos onde abordavam o tema, com algumas atividades, a colega da 4ª série fez uma pesquisa na internet e descobriu um site bem interessante sobre os sobrenomes: www.oguru.com.br/significados/sobrenomes.php e pensamos em utilizá-lo para nossas turmas. A colega professora do 3º ano deu mais algumas idéias sobre gráficos de dados, pois tem formação matemática.
Combinamos então de enviarmos a entrevista aos pais naquele fim de semana e acrescentamos mais uma pergunta às demais: se os pais sabiam a origem dos seus sobrenomes.
Marcamos prazo para a próxima quarta-feira e ficamos no aguardo.
Nessa mesma sexta-feira fiz uma roda de conversas através da Hora do Conto.
Apresentei a história “Gentes” de Márcia D’Haese. Explorei antes a capa: o que vemos da história que está contida aqui através da capa? Após as respostas dadas de que seria a história de um menino, que fala de futebol, de brincar, e de muitas outras coisas, concluíram os alunos. Disse-lhes que falava de muitos meninos e de muitas outras pessoas também.
Logo no início a história nos conta que moramos no Planeta Terra. Questionei aos alunos quem mais morava ali, responderam em uníssono: nós todos! E fomos conversando... Depois mostra uma página cheia de pessoas, de várias idades e etnias, de muitas diferenças físicas, de outros tantos locais do mundo. Aqui vamos incluindo na história contada a história de cada um dos alunos. Conforme vamos passando o livro de mão em mão, cada um vai procurando identificar um tipo diferente de pessoa ali contida.
Enfim, encontraram muitas pessoas diferentes: novas, velhas, brancas, pretas, loiras, morenas, grandes e pequenas, bebês e avôs, adultos, mãe, avó, indiano, chinês, japonês, afro-descendentes, cabelo curto, comprido, olhos claros e escuros... Muitas diferenças foram sendo identificadas! Aqui fui questionando aos alunos nas suas diferenças físicas e raciais, na aparência de cada um e com quem se pareciam.
Após muita conversa entre as diferenças ali encontradas, os alunos concluíram que somos parecidos com nossos parentes, herdamos das nossas famílias a aparência física, os costumes, a culinária, os hábitos. E que cada um pode ser diferente porque cada um tem uma família e constrói a sua história ali, depois da família é que se mistura com os outros.
Nessa roda de conversas também questionei aos alunos o que lembravam de ouvir os pais contarem sobre suas famílias. Apenas dois alunos se aventuraram a contar alguma coisa, os outros disseram não ouvir nada sobre isso em casa.
Então enviei o tema de casa que era a entrevista aos pais, explicando cada uma das perguntas ali contidas.
Já me surpreendi logo na segunda-feira quando alguns alunos me entregaram a entrevista “pronta”. Uma delas completa, outras três pela metade. Essas aqui eu devolvi aos alunos dizendo-lhes que os pais teriam tempo até na quarta-feira para responderem, visto que não estavam completas. As meninas (três) me disseram que a mãe não sabia responder. Então eu lhes disse que fossem até a avó, pois ela com certeza saberia responder.
Assim as entrevistas foram retornando. As que estavam incompletas fui devolvendo e pedindo que revissem junto com os pais, que os próprios alunos poderiam ajudá-los, pois já tínhamos conversado sobre tudo o que estava ali e eles tinham condições de explicar aos pais o que era.
Na sala dos professores as colegas do 3º ano e da 4ª série não estavam satisfeitas, pois as entrevistas não tiveram o retorno esperado. Coloquei das entrevistas que eu recebi e disse que estava bem satisfeita com o resultado. Avaliamos que deveria ser um pouco de ansiedade das colegas, e que reavaliassem o que tinham recebido.
Levei para nova roda de conversas uma letra de música do Toquinho: “Gente tem sobrenome” que fala exatamente do sobrenome das pessoas. Exploramos oralmente os sobrenomes de todos os alunos. Aproveitei e contei-lhes do sobrenome alemão do meu pai, que herdou de seu pai e de seus antepassados, e do sobrenome português da minha mãe. Questionei se sabiam a origem dos seus, disseram que não. Aproveitei e disse que os pais saberiam e que perguntassem a eles, pois nossa entrevista estava quase pronta para conhecermos essas informações todas.
Então no dia 03 de junho fizemos a nossa “Roda de Conversas das Origens Étnico-Raciais da nossa turma”. Retomei aqui a letra do Toquinho “Gente tem sobrenome”. E utilizei um texto informativo “Quem somos nós?” da Enciclopédia Britânica. Tivemos um bate-papo bem sério com esse texto. Pois ele trata das diferenças entre as pessoas, complementando nossas conversas que tivemos até aqui. Claro que o texto já estava defasado, antigo que é, mas utilizei o que me interessava e descartei o que não interessava.
Nessa conversa iniciamos com o manuseio das fotografias, onde fomos identificar quem estava ali fotografado e com quem se parecia. O manuseio das fotos foi um momento mais fraco, visto que somente quatro alunos trouxeram as fotografias. Como eu pressentia isso, que as famílias iriam rejeitar essa parte, separei e levei muitas fotografias da minha família. Alguns alunos explicaram que a mãe não deixou levar. Mas manuseamos essas poucas fotografias e identificamos com quem se pareciam os alunos que ali estavam.
Após esse primeiro momento utilizei as entrevistas e fomos conversando. A cada pergunta e resposta fizemos uma conversa entre todos. Com relação às origens raciais, concluímos nesse bate-papo que todos os alunos têm em seus ancestrais origem indígena, alguns afro-descendentes, outros alemães, italianos e franceses.
Nas entrevistas obtivemos também alguns ensinamentos dos pais aos filhos que se resumiram nesses:
· Importância do trabalho na vida de todos
· Valorização da escola
· Respeito aos outros, independente de sua raça ou condição social
· Solidariedade
· Hábitos e costumes perpetuados
· Honestidade
Conclui junto com os alun
os na nossa roda de conversas que todos nós temos origens indígenas, pois somos todos brasileiros, herdamos essa origem étnica de nossos antepassados que foram os primeiros habitantes das terras brasileiras. E que a herança racial européia está presente em nossas famílias na descendência italiana, alemã e francesa. E a herança africana também se faz presente, vinda dos negros trazidos da África.
Em todos os momentos das nossas conversas não apareceu nenhum preconceito racial, quanto às origens dos alunos. Um único aluno, afro-descendente manifestou um “certo ar de tensão” quando um dos colegas referiu-se aos africanos chamando-os de negros. Eu mesma confirmei essa fala, visto que a cor do povo africano e a afro-descendência mostra em seus traços essa cor, uns mais escuros, outros nem tanto, mas tem diferenças de tonalidades e que podem ser chamados de negros, pois faz parte da sua história, da história do povo africano. Salientei que devíamos todos nós reconhecermos nossas cores de pele, visto que isso é herdado de nossa família, por isso, muito importante de se reconhecer.
Alguns alunos se surpreenderam com as repostas dos pais, pois não sabiam que havia em suas famílias determinadas etnias, como no caso a francesa. Outros confirmaram que sabiam que seus antepassados eram índios. Outro, afro-descendente, descobriu que tem as origens indígenas, africanas, italiana e alemã, visto que a família e originária da região serrana de Caxias do Sul.
Ainda não concluímos nosso trabalho sobre as origens étnicas dos nossos alunos dos anos iniciais na escola Dietschi, ainda temos algumas atividades a dar conta, mas já estamos bem afinados com o tema e os alunos já estão dentro dele.
Já organizei o painel no corredor:
“Quem somos nós” com:
· Fotos da família,
· Letra da música “Gente tem sobrenome”,
· Texto informativo das origens familiares e raciais,
· Ensinamentos dos pais,
· Local de nascimento dos pais e alunos em texto,
· Legenda no Mapa Múndi dos países originários dos nossos ancestrais.
As colegas irão acrescentar seus resultados também no corredor, e ainda vamos trabalhar os mapas dos locais de nascimento e os gráficos e pesquisar sobre as peculiaridades desses lugares específicos.
Através desse trabalho pude perceber o quanto é importante os alunos conhecerem a formação do povo brasileiro em sua essência, e saberem-se parte dessa história, conversando abertamente sobre a variedade de características físicas e culturais que herdaram de seus antepassados reconhecendo também as lutas do seu povo para resgatar sua valorização como participante da formação da nossa brasilidade.
Trago uma fala de Santos (p.100, 1997) que diz da relação da beleza e branquidade parece ser algo natural, mas que não o é, essa naturalização é o resultado de um longo trabalho discursivo que constituem a “branquidade como natural”. Santos afirma ainda na p. 96 que “embora ocorram alguns movimentos que visam a valorização da cultura e da identidade negra” a branquidade ainda é definida como parâmetro, como naturalmente natural...” Nessa fala percebemos e entendemos o quanto a televisão, a mídia, tem poder de influenciar nas nossas vidas, reforçando através de suas novelas, os modelos aceitos como naturais: a branquidade é que detém melhor emprego, melhor lugar, é mais bem vista.
Mas percebemos que aos poucos isso já vai mudando. Já temos muitas novelas mostrando os negros no mesmo patamar dos brancos, existem vários atores e atrizes que conseguem garantir lugar a si e aos outros nessa luta por igualdade de oportunidades, independentes de cor, etnia, raça...
Gostaria de trazer aqui um episódio que aconteceu quando confeccionamos nosso mosaico das raças na sala: conforme íamos colando as nossas gravuras, imagens de pessoas que recortamos, eu ia questionando os alunos: quem é essa pessoa? Como ela é? O que vemos? Como está vestida? E fui colocando outros questionamentos também. Ao final da colagem das figuras, questionei vários pontos e na questão apontem a pessoa mais rica do painel, todos apontaram para uma mulher cheia de jóias, muitos enfeites dourados, negra. E depois: agora que saber a pessoa mais bonita daqui, perguntei. Todos apontaram para uma mulher lindíssima! Também negra. Meus alunos aqui ficam de fora da colocação de Santos, de que “branquidade é natural”. Penso que isso deve-se ao fato de morarmos num lugar pequeno, que acolhe a todas as pessoas, independentemente de suas origens raciais. Não vemos casos de preconceito e racismo em nossos alunos pequenos, pode ser que ao crescer enfrentem essas questões, mas por enquanto isso ainda não ocorre, no meu modo de perceber essa questão.
Talvez ao tratarmos as questões étnico-raciais com naturalidade, enfatizando a discussão em sala de aula seja um bom momento de trazermos as questões raciais mais claramente resolvidas em nosso cotidiano escolar, assim como a aluna Luciane Andréia Ribeiro Leite fez em sua turma. Também podemos possibilitar uma boa conversa que renda frutos de “reflexão étnico-racial” em todos os alunos, independentemente de sua cor, e isso vai lhes ampliar a compreensão de que todos nós somos diferentes em nossa individualidade, especificidades e particularidades. E que todos temos o direito de sermos o que somos, o importante é resolver isso conosco mesmos e junto com os outros todos, no conjunto.
Para concluir penso ter atingido meu objetivo maior com esse trabalho que foi o de resgatar e enfatizar a importância do povo negro e do povo indígena na nossa formação cultural, salientando nossas diferenças e especificidades familiares.
“O brasilíndio como o afro-brasileiro existiam numa terra de ninguém, etnicamente falando, e é a partir dessa carência essencial para livrar-se da ninguemdade de não-índios, não-europeus e não-negros que se vêem forçados a criar a sua própria identidade étnica: a brasileira”. (Darcy Ribeiro - 2000)
A execução em sala de aula do planejamento do Enfoque 5, deu-se em mais tempo do que as oito horas exigidas, continuando ainda em processo, visto que as atividades vão-se expandindo e é necessário mais tempo.
“A escola hoje precisa instigar a origem étnica daquele que não é mencionado, que fica à margem” conforme falam as autoras Ana Maria Petersen, Maria Aparecida Bergamaschi e Simone Valdete dos Santos.
Após as reflexões e leituras dos enfoques temáticos, apresentei meu planejamento à supervisão da Escola Dietschi, onde trabalho, solicitando que me oportunizassem colocar esse planejamento para as outras duas professoras do turno, onde trabalhamos com os anos iniciais dessa escola. Foi muito bem recebida minha proposta, e logo na semana seguinte então apresentamos às colegas o planejamento do trabalho das origens étnico-raciais dos alunos da escola Professor Dietschi.
O referido planejamento foi muito bem aceito e ali mesmo já trocamos algumas idéias de como executarmos nós três esse trabalho. No outro dia novamente nos envolvemos com a proposta: eu trouxe dois livros didáticos onde abordavam o tema, com algumas atividades, a colega da 4ª série fez uma pesquisa na internet e descobriu um site bem interessante sobre os sobrenomes: www.oguru.com.br/significados/sobrenomes.php e pensamos em utilizá-lo para nossas turmas. A colega professora do 3º ano deu mais algumas idéias sobre gráficos de dados, pois tem formação matemática.
Combinamos então de enviarmos a entrevista aos pais naquele fim de semana e acrescentamos mais uma pergunta às demais: se os pais sabiam a origem dos seus sobrenomes.
Marcamos prazo para a próxima quarta-feira e ficamos no aguardo.
Nessa mesma sexta-feira fiz uma roda de conversas através da Hora do Conto.
Apresentei a história “Gentes” de Márcia D’Haese. Explorei antes a capa: o que vemos da história que está contida aqui através da capa? Após as respostas dadas de que seria a história de um menino, que fala de futebol, de brincar, e de muitas outras coisas, concluíram os alunos. Disse-lhes que falava de muitos meninos e de muitas outras pessoas também.
Logo no início a história nos conta que moramos no Planeta Terra. Questionei aos alunos quem mais morava ali, responderam em uníssono: nós todos! E fomos conversando... Depois mostra uma página cheia de pessoas, de várias idades e etnias, de muitas diferenças físicas, de outros tantos locais do mundo. Aqui vamos incluindo na história contada a história de cada um dos alunos. Conforme vamos passando o livro de mão em mão, cada um vai procurando identificar um tipo diferente de pessoa ali contida.
Enfim, encontraram muitas pessoas diferentes: novas, velhas, brancas, pretas, loiras, morenas, grandes e pequenas, bebês e avôs, adultos, mãe, avó, indiano, chinês, japonês, afro-descendentes, cabelo curto, comprido, olhos claros e escuros... Muitas diferenças foram sendo identificadas! Aqui fui questionando aos alunos nas suas diferenças físicas e raciais, na aparência de cada um e com quem se pareciam.
Após muita conversa entre as diferenças ali encontradas, os alunos concluíram que somos parecidos com nossos parentes, herdamos das nossas famílias a aparência física, os costumes, a culinária, os hábitos. E que cada um pode ser diferente porque cada um tem uma família e constrói a sua história ali, depois da família é que se mistura com os outros.
Nessa roda de conversas também questionei aos alunos o que lembravam de ouvir os pais contarem sobre suas famílias. Apenas dois alunos se aventuraram a contar alguma coisa, os outros disseram não ouvir nada sobre isso em casa.
Então enviei o tema de casa que era a entrevista aos pais, explicando cada uma das perguntas ali contidas.
Já me surpreendi logo na segunda-feira quando alguns alunos me entregaram a entrevista “pronta”. Uma delas completa, outras três pela metade. Essas aqui eu devolvi aos alunos dizendo-lhes que os pais teriam tempo até na quarta-feira para responderem, visto que não estavam completas. As meninas (três) me disseram que a mãe não sabia responder. Então eu lhes disse que fossem até a avó, pois ela com certeza saberia responder.
Assim as entrevistas foram retornando. As que estavam incompletas fui devolvendo e pedindo que revissem junto com os pais, que os próprios alunos poderiam ajudá-los, pois já tínhamos conversado sobre tudo o que estava ali e eles tinham condições de explicar aos pais o que era.
Na sala dos professores as colegas do 3º ano e da 4ª série não estavam satisfeitas, pois as entrevistas não tiveram o retorno esperado. Coloquei das entrevistas que eu recebi e disse que estava bem satisfeita com o resultado. Avaliamos que deveria ser um pouco de ansiedade das colegas, e que reavaliassem o que tinham recebido.
Levei para nova roda de conversas uma letra de música do Toquinho: “Gente tem sobrenome” que fala exatamente do sobrenome das pessoas. Exploramos oralmente os sobrenomes de todos os alunos. Aproveitei e contei-lhes do sobrenome alemão do meu pai, que herdou de seu pai e de seus antepassados, e do sobrenome português da minha mãe. Questionei se sabiam a origem dos seus, disseram que não. Aproveitei e disse que os pais saberiam e que perguntassem a eles, pois nossa entrevista estava quase pronta para conhecermos essas informações todas.
Então no dia 03 de junho fizemos a nossa “Roda de Conversas das Origens Étnico-Raciais da nossa turma”. Retomei aqui a letra do Toquinho “Gente tem sobrenome”. E utilizei um texto informativo “Quem somos nós?” da Enciclopédia Britânica. Tivemos um bate-papo bem sério com esse texto. Pois ele trata das diferenças entre as pessoas, complementando nossas conversas que tivemos até aqui. Claro que o texto já estava defasado, antigo que é, mas utilizei o que me interessava e descartei o que não interessava.
Nessa conversa iniciamos com o manuseio das fotografias, onde fomos identificar quem estava ali fotografado e com quem se parecia. O manuseio das fotos foi um momento mais fraco, visto que somente quatro alunos trouxeram as fotografias. Como eu pressentia isso, que as famílias iriam rejeitar essa parte, separei e levei muitas fotografias da minha família. Alguns alunos explicaram que a mãe não deixou levar. Mas manuseamos essas poucas fotografias e identificamos com quem se pareciam os alunos que ali estavam.
Após esse primeiro momento utilizei as entrevistas e fomos conversando. A cada pergunta e resposta fizemos uma conversa entre todos. Com relação às origens raciais, concluímos nesse bate-papo que todos os alunos têm em seus ancestrais origem indígena, alguns afro-descendentes, outros alemães, italianos e franceses.
Nas entrevistas obtivemos também alguns ensinamentos dos pais aos filhos que se resumiram nesses:
· Importância do trabalho na vida de todos
· Valorização da escola
· Respeito aos outros, independente de sua raça ou condição social
· Solidariedade
· Hábitos e costumes perpetuados
· Honestidade
Conclui junto com os alun
os na nossa roda de conversas que todos nós temos origens indígenas, pois somos todos brasileiros, herdamos essa origem étnica de nossos antepassados que foram os primeiros habitantes das terras brasileiras. E que a herança racial européia está presente em nossas famílias na descendência italiana, alemã e francesa. E a herança africana também se faz presente, vinda dos negros trazidos da África.
Em todos os momentos das nossas conversas não apareceu nenhum preconceito racial, quanto às origens dos alunos. Um único aluno, afro-descendente manifestou um “certo ar de tensão” quando um dos colegas referiu-se aos africanos chamando-os de negros. Eu mesma confirmei essa fala, visto que a cor do povo africano e a afro-descendência mostra em seus traços essa cor, uns mais escuros, outros nem tanto, mas tem diferenças de tonalidades e que podem ser chamados de negros, pois faz parte da sua história, da história do povo africano. Salientei que devíamos todos nós reconhecermos nossas cores de pele, visto que isso é herdado de nossa família, por isso, muito importante de se reconhecer.
Alguns alunos se surpreenderam com as repostas dos pais, pois não sabiam que havia em suas famílias determinadas etnias, como no caso a francesa. Outros confirmaram que sabiam que seus antepassados eram índios. Outro, afro-descendente, descobriu que tem as origens indígenas, africanas, italiana e alemã, visto que a família e originária da região serrana de Caxias do Sul.
Ainda não concluímos nosso trabalho sobre as origens étnicas dos nossos alunos dos anos iniciais na escola Dietschi, ainda temos algumas atividades a dar conta, mas já estamos bem afinados com o tema e os alunos já estão dentro dele.
Já organizei o painel no corredor:
“Quem somos nós” com:
· Fotos da família,
· Letra da música “Gente tem sobrenome”,
· Texto informativo das origens familiares e raciais,
· Ensinamentos dos pais,
· Local de nascimento dos pais e alunos em texto,
· Legenda no Mapa Múndi dos países originários dos nossos ancestrais.
As colegas irão acrescentar seus resultados também no corredor, e ainda vamos trabalhar os mapas dos locais de nascimento e os gráficos e pesquisar sobre as peculiaridades desses lugares específicos.
Através desse trabalho pude perceber o quanto é importante os alunos conhecerem a formação do povo brasileiro em sua essência, e saberem-se parte dessa história, conversando abertamente sobre a variedade de características físicas e culturais que herdaram de seus antepassados reconhecendo também as lutas do seu povo para resgatar sua valorização como participante da formação da nossa brasilidade.
Trago uma fala de Santos (p.100, 1997) que diz da relação da beleza e branquidade parece ser algo natural, mas que não o é, essa naturalização é o resultado de um longo trabalho discursivo que constituem a “branquidade como natural”. Santos afirma ainda na p. 96 que “embora ocorram alguns movimentos que visam a valorização da cultura e da identidade negra” a branquidade ainda é definida como parâmetro, como naturalmente natural...” Nessa fala percebemos e entendemos o quanto a televisão, a mídia, tem poder de influenciar nas nossas vidas, reforçando através de suas novelas, os modelos aceitos como naturais: a branquidade é que detém melhor emprego, melhor lugar, é mais bem vista.
Mas percebemos que aos poucos isso já vai mudando. Já temos muitas novelas mostrando os negros no mesmo patamar dos brancos, existem vários atores e atrizes que conseguem garantir lugar a si e aos outros nessa luta por igualdade de oportunidades, independentes de cor, etnia, raça...
Gostaria de trazer aqui um episódio que aconteceu quando confeccionamos nosso mosaico das raças na sala: conforme íamos colando as nossas gravuras, imagens de pessoas que recortamos, eu ia questionando os alunos: quem é essa pessoa? Como ela é? O que vemos? Como está vestida? E fui colocando outros questionamentos também. Ao final da colagem das figuras, questionei vários pontos e na questão apontem a pessoa mais rica do painel, todos apontaram para uma mulher cheia de jóias, muitos enfeites dourados, negra. E depois: agora que saber a pessoa mais bonita daqui, perguntei. Todos apontaram para uma mulher lindíssima! Também negra. Meus alunos aqui ficam de fora da colocação de Santos, de que “branquidade é natural”. Penso que isso deve-se ao fato de morarmos num lugar pequeno, que acolhe a todas as pessoas, independentemente de suas origens raciais. Não vemos casos de preconceito e racismo em nossos alunos pequenos, pode ser que ao crescer enfrentem essas questões, mas por enquanto isso ainda não ocorre, no meu modo de perceber essa questão.
Talvez ao tratarmos as questões étnico-raciais com naturalidade, enfatizando a discussão em sala de aula seja um bom momento de trazermos as questões raciais mais claramente resolvidas em nosso cotidiano escolar, assim como a aluna Luciane Andréia Ribeiro Leite fez em sua turma. Também podemos possibilitar uma boa conversa que renda frutos de “reflexão étnico-racial” em todos os alunos, independentemente de sua cor, e isso vai lhes ampliar a compreensão de que todos nós somos diferentes em nossa individualidade, especificidades e particularidades. E que todos temos o direito de sermos o que somos, o importante é resolver isso conosco mesmos e junto com os outros todos, no conjunto.
Para concluir penso ter atingido meu objetivo maior com esse trabalho que foi o de resgatar e enfatizar a importância do povo negro e do povo indígena na nossa formação cultural, salientando nossas diferenças e especificidades familiares.
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