Quero trazer um registro bem importante sobre meu trabalho na escola infantil.
Desenvolvo ao longo do ano um projeto de inclusão digital na biblioteca Pública Municipal, onde levo meus alunos de 4/5 anos semanalmente nesse espaço para utilização dos computadores.
Os alunos manuseiam jogos e atividades ali no Telecentro de informática.
Trabalhamos também desde o ínicio do segundo semestre o projeto Inclusão Literária e Cultural, onde nos reunimos quinzenalmente com os alunos e os livros, um trabalho de pesquisa impressa numa semana e na outra semana uma Hora do Conto.
Durante todo o ano venho comentando com minhas colegas sobre a importância do local como ponto de aproximação entre nossos alunos, cultura e informática, livros e letramento, consciência fonológica e aproveitamento dos espaços coletivos públicos além dos muros da escola.
Qual não foi minha surpresa ao concluir nosso PA e descobrir através da pesquisa final aos professores da escola, que já estávamos em cinco professores realizando essa atividade com nossos pequenos no Telecentro da Biblioteca.
Ainda na quinta feira, dia 5 de novembro realizamos nosso encontro de pesquisa e olha só o que aconteceu: enquanto estávamos ali, entre as 09 e 11 horas da manhã, chegaram nesse espaço mais duas turmas de aluninhos. Uma delas foi para a Hora do Conto e a outra além dessa atividade, fez uso dos computadores também. A outra turminha que foi de volta para a escola sem o manuseio dos computadores foram todos reclamando com a professora a vontade de ficarem ali! E são pimpolhos entre 2 e 3 anos de idade!
Começo a acreditar mais em nosso trabalho de “forminguinha” ou “passarinho no incêndio da floresta”!
Fiquei muito feliz com esse encontro, inclusive teci meus comentários acerca do assunto em meus registros virtuais da turma, em nosso site: http://bemmequeinfantil.pbworks.com/
Este blog tem a obrigação de conter as minhas reflexões a cerca dos estudos feitos em cada interdisciplina estudada no curso de Pedagogia à Distância da Ufrgs.
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sexta-feira, 6 de novembro de 2009
segunda-feira, 22 de junho de 2009
ORIGENS ÉTNICO-RACIAIS NA DIETSCHI
Trago aqui o trabalho que apresentei na Dietschi e estamos desenvolvendo nesses meses de junho e julho sobre as questões étnico-raciais:
Stela Maris da Rosa Dias*
Vivemos em tempos atuais que nos exigem rever nossas práticas pedagógicas
Nossas origens étnicas foram assim deturpadas e negadas ao longo de quinhentos anos, enganando-nos enquanto nos faziam acreditar que os primeiros habitantes moradores das terras brasileiras, donos da diversidade natural que os abrigava e múltiplos em sua cultura, eram mostrados como meros “bobos da corte”, pintando os corpos, dançando ritmos aos deuses, e aceitando presentes para embelezar-se.
Por centenas de anos vivemos uma catequização caricata que nos instruía a ver e a mostrar nossa origem afro-brasileira como escravos da cor, diminuídos na sua essência por terem sido arrancados das suas vidas no continente africano, deixando para traz suas famílias, suas culturas, sua Cidade, sua história individual e coletiva de povo, trazidos escravos. Parece que só esse fato já explicava a não-aceitação das nossas origens afro-brasileiras. Como disse Darcy Ribeiro (2000) “o brasilíndio como o afro-brasileiro existiam numa terra de ninguém, etnicamente falando, e é a partir dessa carência essencial para livrar-se da ninguemdade de não-índios, não-europeus e não-negros que se vêem forçados a criar a sua própria identidade étnica: a brasileira”.
Conforme as autoras Ana Maria Petersen, Maria Aparecida Bergamaschi e Simone Valdete dos Santos “a escola hoje precisa instigar a origem étnica daquele que não é mencionado, que fica à margem”. A partir dessas reflexões e leituras dos enfoques temáticos, estudados na interdisciplina Questões Étnico-Raciais: sociologia e História, elaboro o seguinte planejamento a ser desenvolvido em nossa escola, com os alunos do Currrículo Por Atividades:
2. Saber de onde vieram seus familiares e quais as características físicas herdadas, reconhecendo em si e nos seus parentes essas mesmas características.
3. Confeccionar um painel de fotografias da família, coletando fotos e identificando seus parentes e características herdadas, ali encontradas.
4. Construir mapa político das cidades de origem das famílias e também dos países originários, destacando esses locais no mapa e legendando-os.
5. Construir um gráfico de barras das origens.
6. Pesquisar sobre as peculiaridades desses lugares específicos.
7. Entender que cada indivíduo faz parte de um grupo familiar e étnico-racial, resgatando assim a sua importância dentro daquele grupo e necessidade de perpetuar a história de cada povo, com todas as suas nuances históricas e sociais.
8. Promover um resgate da auto-imagem e auto-estima dos alunos afro-descendentes da nossa escola, através do resgate da identidade étnica das suas origens.
9. Permitir aos professores e alunos uma reflexão da formação do povo brasileiro, que traz em sua essência uma variedade de características físicas e culturais herdadas dos antepassados e conhecer as lutas desses em favor do reconhecimento e da importância dos povos formadores da nossa brasilidade.
10. Resgatar e enfatizar a importância do povo negro e do índio na nossa formação cultural, com as contribuições agregadas à cultura brasileira.
Através de uma roda de conversas iniciaremos nosso bate-papo sobre as origens étnico-raciais de cada aluno. Antecipadamente enviarei aos pais uma entrevista com as seguintes perguntas:
1. O que sabem sobre a origem racial da sua família, tanto do pai quanto da mãe? De onde vieram seus antepassados, avós, bisavós?
2. Quais histórias e ensinamentos ouviram de seus pais a respeito de suas origens?
3. Quais hábitos e costumes cultivam na sua casa, como parte da cultura herdada das suas origens?
4. O que sabem sobre a história da sua família e o que julgam ser muito importante que seus filhos saibam?
5. Com quem seu filho ou sua filha se parece?
6. Sua família já sofreu algum tipo de preconceito em função da sua etnia racial?
7. Onde nasceram o pai e a mãe?
8. Onde nasceu o aluno?
9. Por que vieram morar aqui em Rondinha?
De posse dessas respostas então faremos nossa conversa sobre a origem da cada aluno.
Também pedirei que cada família mande uma ou mais fotografias para montarmos um painel: “Quem somos nós?”
Enquanto estivermos na roda de conversa, manuseando as fotos, vamos identificando quem está ali fotografado e com quem mais se parece nas feições físicas. Vamos descobrir então os parentes, retomando, com ênfase na origem étnico-racial: cor, características físicas e local de origem.
Após essa conversa e a montagem do painel, vamos registrar num texto informativo as nossas considerações a cerca da família de cada um.
Então destacaremos num mapa Múndi a origem de cada aluno: o local de nascimento, o local onde nasceram seus pais, avós e bisavós, e o local originário étnico-racial. Destacando também nosso Município e a Rondinha, legendando-os conforme combinarmos.
Após essas atividades haverá uma leitura coletiva sobre o “nosso mapa”, com o objetivo de levá-los ao entendimento de que cada um é importante na sua individualidade e que faz parte de um coletivo na sua família, nas suas origens, na sua cultura, na sua raça, enfim, na sua história e na história de todos. E que todos e cada um devem ser respeitados nas suas origens e na sua história. Enfatizando especialmente a importância do povo negro e do povo indígena na formação do povo brasileiro.
Depois vamos registrar num gráfico de barras as origens da turma.
Então vamos pesquisar na biblioteca peculiaridades importantes sobre os povos africanos e indígenas, comparando com o que nós já sabemos, encontramos e conhecemos aqui na Rondinha, em nossas casas e famílias, na nossa vida diária e que são herdados de nossos antepassados.
Professora do 1º e 2º anos do ensino fundamental de 9 anos da escola Professor Dietschi.
Rondinha – Junho/2009
ORIGENS
ÉTNICO-RACIAIS
DOS
NOSSOS ALUNOS
ÉTNICO-RACIAIS
DOS
NOSSOS ALUNOS
Stela Maris da Rosa Dias*
Vivemos em tempos atuais que nos exigem rever nossas práticas pedagógicas
em sala de aula, no que tange ao estudo das nossas origens étnico-raciais. Vimos de uma escola que nos ensinou (a nós professores) que as etnias aqui existentes ao tempo das colonizações foram meramente utilizadas pelos então colonizadores portugueses primeiro para a tomada das terras brasileiras, no caso os índios, e depois para mão de obra escrava, então os negros africanos.
Nossas origens étnicas foram assim deturpadas e negadas ao longo de quinhentos anos, enganando-nos enquanto nos faziam acreditar que os primeiros habitantes moradores das terras brasileiras, donos da diversidade natural que os abrigava e múltiplos em sua cultura, eram mostrados como meros “bobos da corte”, pintando os corpos, dançando ritmos aos deuses, e aceitando presentes para embelezar-se.
Por centenas de anos vivemos uma catequização caricata que nos instruía a ver e a mostrar nossa origem afro-brasileira como escravos da cor, diminuídos na sua essência por terem sido arrancados das suas vidas no continente africano, deixando para traz suas famílias, suas culturas, sua Cidade, sua história individual e coletiva de povo, trazidos escravos. Parece que só esse fato já explicava a não-aceitação das nossas origens afro-brasileiras. Como disse Darcy Ribeiro (2000) “o brasilíndio como o afro-brasileiro existiam numa terra de ninguém, etnicamente falando, e é a partir dessa carência essencial para livrar-se da ninguemdade de não-índios, não-europeus e não-negros que se vêem forçados a criar a sua própria identidade étnica: a brasileira”.
Conforme as autoras Ana Maria Petersen, Maria Aparecida Bergamaschi e Simone Valdete dos Santos “a escola hoje precisa instigar a origem étnica daquele que não é mencionado, que fica à margem”. A partir dessas reflexões e leituras dos enfoques temáticos, estudados na interdisciplina Questões Étnico-Raciais: sociologia e História, elaboro o seguinte planejamento a ser desenvolvido em nossa escola, com os alunos do Currrículo Por Atividades:
Objetivos:
1. Conhecer as origens étnico-raciais que compõem as famílias das turmas, bem como conhecer algumas histórias e/ou ensinamentos que seus familiares ouviram sobre seus antepassados.
1. Conhecer as origens étnico-raciais que compõem as famílias das turmas, bem como conhecer algumas histórias e/ou ensinamentos que seus familiares ouviram sobre seus antepassados.
2. Saber de onde vieram seus familiares e quais as características físicas herdadas, reconhecendo em si e nos seus parentes essas mesmas características.
3. Confeccionar um painel de fotografias da família, coletando fotos e identificando seus parentes e características herdadas, ali encontradas.
4. Construir mapa político das cidades de origem das famílias e também dos países originários, destacando esses locais no mapa e legendando-os.
5. Construir um gráfico de barras das origens.
6. Pesquisar sobre as peculiaridades desses lugares específicos.
7. Entender que cada indivíduo faz parte de um grupo familiar e étnico-racial, resgatando assim a sua importância dentro daquele grupo e necessidade de perpetuar a história de cada povo, com todas as suas nuances históricas e sociais.
8. Promover um resgate da auto-imagem e auto-estima dos alunos afro-descendentes da nossa escola, através do resgate da identidade étnica das suas origens.
9. Permitir aos professores e alunos uma reflexão da formação do povo brasileiro, que traz em sua essência uma variedade de características físicas e culturais herdadas dos antepassados e conhecer as lutas desses em favor do reconhecimento e da importância dos povos formadores da nossa brasilidade.
10. Resgatar e enfatizar a importância do povo negro e do índio na nossa formação cultural, com as contribuições agregadas à cultura brasileira.
Desdobramentos em sala de aula:
Através de uma roda de conversas iniciaremos nosso bate-papo sobre as origens étnico-raciais de cada aluno. Antecipadamente enviarei aos pais uma entrevista com as seguintes perguntas:
1. O que sabem sobre a origem racial da sua família, tanto do pai quanto da mãe? De onde vieram seus antepassados, avós, bisavós?
2. Quais histórias e ensinamentos ouviram de seus pais a respeito de suas origens?
3. Quais hábitos e costumes cultivam na sua casa, como parte da cultura herdada das suas origens?
4. O que sabem sobre a história da sua família e o que julgam ser muito importante que seus filhos saibam?
5. Com quem seu filho ou sua filha se parece?
6. Sua família já sofreu algum tipo de preconceito em função da sua etnia racial?
7. Onde nasceram o pai e a mãe?
8. Onde nasceu o aluno?
9. Por que vieram morar aqui em Rondinha?
10. Sabem a origem do sobrenome dos pais?
De posse dessas respostas então faremos nossa conversa sobre a origem da cada aluno.
Também pedirei que cada família mande uma ou mais fotografias para montarmos um painel: “Quem somos nós?”
Enquanto estivermos na roda de conversa, manuseando as fotos, vamos identificando quem está ali fotografado e com quem mais se parece nas feições físicas. Vamos descobrir então os parentes, retomando, com ênfase na origem étnico-racial: cor, características físicas e local de origem.
Após essa conversa e a montagem do painel, vamos registrar num texto informativo as nossas considerações a cerca da família de cada um.
Então destacaremos num mapa Múndi a origem de cada aluno: o local de nascimento, o local onde nasceram seus pais, avós e bisavós, e o local originário étnico-racial. Destacando também nosso Município e a Rondinha, legendando-os conforme combinarmos.
Após essas atividades haverá uma leitura coletiva sobre o “nosso mapa”, com o objetivo de levá-los ao entendimento de que cada um é importante na sua individualidade e que faz parte de um coletivo na sua família, nas suas origens, na sua cultura, na sua raça, enfim, na sua história e na história de todos. E que todos e cada um devem ser respeitados nas suas origens e na sua história. Enfatizando especialmente a importância do povo negro e do povo indígena na formação do povo brasileiro.
Depois vamos registrar num gráfico de barras as origens da turma.
Então vamos pesquisar na biblioteca peculiaridades importantes sobre os povos africanos e indígenas, comparando com o que nós já sabemos, encontramos e conhecemos aqui na Rondinha, em nossas casas e famílias, na nossa vida diária e que são herdados de nossos antepassados.
Professora do 1º e 2º anos do ensino fundamental de 9 anos da escola Professor Dietschi.
Rondinha – Junho/2009
domingo, 7 de junho de 2009
FRUTOS PEADIANOS
No ano de 2007 tivemos a oportunidade de apadrinhar os alunos novos do Pead.
Essa proposta para nós, acadêmicas do Pead TC desencadeou na escola Dietschi um
Projeto semelhante:
Mara Braum, então professora da 4ª série, promoveu o apadrinhamento dos seus alunos com os meus, do 1º ano.
Foi um trabalho bem bacana de parceria, onde os alunos da 4ª ajudavam seus afilhados em todas as necessidades, inclusive um sala de aula, se houvesse um aperto dos alunos do 1º ano lá vinham os dindos auxiliarem, até cópia do quadro!
Tal minha alegria quando a professora do 3º ano nesse ano de 2009 veio até minha porta oferecer apadrinhamento dos seus alunos (que foram do 1º ano em 2007) para os meus alunos do 1º e 2º anos (classe multisseriada)!
Prova de que integração, cooperação e solidariedade ainda rendem bons frutos na sala de aulas...
Fiquei emocionada com a proposta!
Essa proposta para nós, acadêmicas do Pead TC desencadeou na escola Dietschi um
Projeto semelhante:
Mara Braum, então professora da 4ª série, promoveu o apadrinhamento dos seus alunos com os meus, do 1º ano.
Foi um trabalho bem bacana de parceria, onde os alunos da 4ª ajudavam seus afilhados em todas as necessidades, inclusive um sala de aula, se houvesse um aperto dos alunos do 1º ano lá vinham os dindos auxiliarem, até cópia do quadro!
Tal minha alegria quando a professora do 3º ano nesse ano de 2009 veio até minha porta oferecer apadrinhamento dos seus alunos (que foram do 1º ano em 2007) para os meus alunos do 1º e 2º anos (classe multisseriada)!
Prova de que integração, cooperação e solidariedade ainda rendem bons frutos na sala de aulas...
Fiquei emocionada com a proposta!
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