domingo, 26 de setembro de 2010

Reflexões Alfabetização e Letramento

Foto: pré-escolar 2A setembro/2010.


Reflexão do eixo 2 – Fundamentos da Alfabetização

Revendo as atividades, relendo as postagens no webfólio e nos fóruns da interdisciplina organizei um texto a partir das leituras ali apresentadas de alguns capítulos do livro de Magda Soares, Letramento: um tema em três gêneros (2001), e os capítulos 1, 2, 3, 4, 5 e 8 do livro “Psicogênese da Língua Escrita”, escrito pelas pesquisadoras Emília Ferreiro e Ana Teberosky.
Destaco a importância de conhecermos as teorias que cercam nosso trabalho para melhor realizarmos o nosso fazer pedagógico.

Uma das questões que levantei foi quanto ao trabalho de alfabetização onde “a descrença que muitos alunos carregam consigo de que não serão capazes de desvendá-lo (o mundo da escrita) é angustiante para nós, professores alfabetizadores, pois diminuem sua auto-estima e não auxiliam na sua construção pessoal”. E acredito nos estudos da Emília Ferreiro como sendo, de fato, um excelente começo para entendermos um pouco melhor o que acontece no processo da construção da aquisição desse conhecimento pelo nosso aluno. E isso pode muito nos auxiliar em nosso fazer pedagógico, contribuindo assim para melhorarmos nosso entendimento de como se dá essa construção, para que possamos mediar a busca do aluno na construção da lingua escrita.

Magda Soares nos ensina que atualmente “não basta apenas dominar as técnicas de leitura e escrita, mas é necessário saber fazer uso do ler e escrever, saber responder às exigências de leitura e escrita que essa sociedade faz continuamente. Denominando então o conceito de letramento, explicitando no texto referido que “o sujeito letrado é aquele que se envolve em práticas sociais de leitura e escrita”.

Recortei essa fala que escrevi num trabalho do webfólio e que traz o meu pensar sobre a importância das vivências do aluno serem reconhecidas na sala de aula e aproveitadas para a construção do saber coletivo, da socialização do seu saber, conjugando-o ao saber do outro, transformando-os assim num saber coletivo, adicionado do mundo vivido do sujeito e do mundo do outro sujeito, também vivido e que vem a ser partilhado em conjunto na escola.

Esse pensar se consolidou em minha prática de estágio e me possibilitou a reflexão para construir meu TCC a partir da investigação do papel da escola no resgate da identidade do aluno a partir da sua historia pessoal aliada à história da turma, acrescido de todas as identidades individuais que formam a coletividade da turma:

Relacionando letramento na minha vivência pedagógica, destaco o fato de aproveitar de meu aluno tudo aquilo que ele já traz para a escola: suas vivências cotidianas, seu dia-a-dia, o seu pensar, agir, as relações e trocas com o outro... A sua relação desse mundo escrito/vivido e sua compreensão da importância e diferença que faz esse conhecer, esse viver esse mundo e incorporá-lo às minhas necessidades, a descoberta de que meu mundo vivido é letrado, e por isso, passível de leitura e re-leitura. E que eu preciso conhecê-lo e significá-lo, para poder então, transformar essa leitura/escrita em possibilidade de mobilidade social. E entender que essa aprendizagem deve ser absorvida, internalizada, apreendida, para poder assim, apropriar-se desse conhecimento da escrita. (Stela Maris da Rosa Dias, (2007-1), postagem no webfólio do ambiente Rooda, do curso Pead-UFRGS).

A fala de Emília Ferreiro e Ana Teberosky destacada na leitura acima referida partindo das idéias de Piaget, diz que “sobre a construção do conhecimento, confirmou-se que a criança cresce, age e interage no seu ambiente, no mundo em que vive, e traz consigo esse conhecimento escrito vivido”, confirmam minhas ideias e legitimam minha fala descrita acima. Pois o sujeito que aprende está no centro do processo e é esse sujeito aprendente que vive o processo e que vai significá-lo, trazendo para o universo escolar as suas vivências.

Assim, esse conhecimento apreendido é o resultado da própria interação do sujeito no mundo vivido com o mundo dos outros sujeitos que ali estão vivendo suas histórias conjuntamente, desvendando a própria história e construindo a história coletiva, da turma onde estão inseridos. Utilizando assim, esse novo conhecimento adquirido em benefício próprio, podendo participar do seu mundo social com responsabilidade, e podendo modificar sua condição no mundo em que vive e atua, juntamente com o outro.

Stela Maris 26.09.2010 às 16.10

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

TCC E Eixo 2

Foto: Dia da Família na EEEF Professor Dietschi, apresentação do Laptop do projeto UCA.


Aqui construí esse texto ainda na mesma proposta anterior, partindo da leitura “A Maquinaria Escolar”, de Júlia Varela e Fernando Alvarez, que traz minha fala sobre família e escola, em seus papeis socializadores, e que também vêm ao encontro do meu TCC:

“Hoje, a família já perdeu seu lugar de socializar primeiramente seus filhos. Assim que nascem são levados à escola. Aos quatro meses já são colocados na creche, e lá permanecem até os 5 ou 6 anos. Depois, vão para a escola de ensino fundamental e podem permanecer aproximadamente até os 14 ou 15 anos. Depois vão trabalhar, já adquiriram “passaporte de adultos” e devem começar a dividir responsabilidades financeiras e domésticas igualmente em sua casa.

Nesse novo tempo que vivemos, os pais batalhando pela sustentação e manutenção das responsabilidades financeiras sobre suas famílias, sobra-lhes pouco tempo para organizarem seus filhos com regras e limites claros sobre como procederem. Mais permissivos pela falta de tempo e maior necessidade de suprir a casa, trocam essa responsabilidade primeira de educação social, pelo abandono das suas obrigações para com seus rebentos, legando mais essa tarefa para a escola. Aqui, aparece a escola como salvadora da pátria.
Então seus filhos, nossos alunos, querem fazer tudo o que querem, sem limites, sem regras, sem respeito ao lugar/vez do outro. Não querem mais permitir a autoridade na escola, afinal, vive-se num mundo cheio de iguais (ou diferentes) e precisa-se respeitar ao outro, não querem cumprir as regras de convivência. Com isso a escola passa a ter mais responsabilidades por esses filhos da contemporaneidade! Aqui a escola passa a possibilitar-lhes a construção de conceitos, valores e referenciais de vida em grupo, com responsabilidades e possibilidades de se inserirem no meio em que vivem, podendo ou não garantir-lhes uma transformação social.

A educação, direito de todos os cidadãos nascidos num certo país, deveria servir para que todos pudessem lutar por condições melhores de trabalho, de vida, de qualidade, lazer, saúde... Deveria garantir que todos tivessem as mesmas possibilidades, sem prejuízo dos menos desfavorecidos, mas que houvesse uma justa e igual oportunidade para todos! Onde todos e cada um, proletariado ou burguês pudessem lutar as suas lutas, de igual para igual. Sem prejuízo de muitos em favor de poucos pela demonstração do Poder.

Hoje, embora ainda permaneça muito arraigada essa dominação e manutenção do poder pelo Estado, em especial garantido pelos órgãos reprodutores, e aqui a escola, já vejo mais possível de acontecer uma escola diferente. Muitas dessas instituições já contam com profissionais que pensam e agem em favor da coletividade, possibilitando e permitindo aos seus alunos que sonhem e busquem uma melhor educação, mais democrática e igual para todos.

Voltando as minhas memórias, algo que sempre lembro é dos desfiles de 7 de setembro. Obrigatório sim, pois vivíamos em plena ditadura militar, mas algo inesquecível. Para o desfile, nos juntávamos em grupos e confeccionávamos cartazes, placas, painéis com os mapas do Brasil, eram feitas colagens de conchinhas do mar, de papéis rasgados (atividades em que podíamos nos agrupar e mesmo sem muita voz frente ao professor ou a classe toda, era nosso momento de partilha de saberes!). Eram tantas atividades manuais que nos enchiam de alegria! Gostava disso. Também representávamos alguns papéis nos desfiles: nos vestíamos de personagens, geralmente de família, e desfilávamos pelas ruas da cidade, marchando. Toda a população (que não era muita) ficava á beira da rua olhando.
Era uma coisa que eu gostava de fazer, pois os momentos de preparar as alegorias eram coletivos e os aplausos da população eram a recompensa do trabalho feito pela nossa mãozinha!

Depois fui estudar numa escola particular, Cenecista, confessional.
Embora a insituição fosse administrada com mão-de-ferro pelas freiras, os professores eram diferentes. Instigavam nossa curiosidade, pediam trabalhos em grupo, sempre.
Fazíamos muita pesquisa.
Apresentávamos trabalhos ao grande grupo.
O professor de Português, professor Laertsan Tavares Carvalho, sempre pedia leitura de livros, da nossa escolha. Importava era aprender a ler e compreender o que líamos, adquirindo a capacidade de dissertarmos sobre nossas leituras.

Hoje sou professora alfabetizadora, quarenta anos depois de ter ido a primeira vez a escola. Tenho orgulho da minha profissão.
Eu escolhi esse caminho já bem madura e depois de adulta.
E continuo bem contente na minha escola: realizada profissionalmente.

Ser professora é um desafio diário.
Nossos alunos não são como éramos: obrigados a calar a boca!
Hoje sentamos e conversamos diariamente sobre o que é melhor pra fazermos? Que coisas queremos e vamos fazer juntos? Como vamos dar conta de aprender e pra que precisamos aprender? Desafiamos cada vez a nossa curiosidade e inteligência para construirmos o nosso saber! O saber da coletividade construída no seu espaço, inserida no seu lugar em que vive!...
Stela Maris da Rosa Dias dia 24.09.2010 às 21.55

Eixo 9- TCC

Foto: aula na Biblioteca Pública Municipal, turma pré-2A, maio-2010


Relendo essa postagem de trabalho do webfólio a partir do texto “A Maquinaria Escolar”, de Júlia Varela e Fernando Alvarez, das Interdisciplinas "Escolarização e Infâncias onde devíamos responder perguntas sobre o referido texto construiu um texto com as minhas respostas dadas, visto que todas as minhas falas me remetem ao tema do TCC.


A história nos prova que a escola, o espaço que se utiliza para a escolarização, foi usado ao longo do tempo como “fábrica de submissão a quem detém mais poder: a igreja e ao burguês!” Mas, como o tempo passa e tudo se transforma, como uma lei natural, a escola também vem se modificando conforme a história vai se construindo.

Quando eu era criança e ia para a escola, aquele espaço era um lugar “fechado”, embora não houvesse muros nem cercas. Fechado Na discussão das ideias, na construção do aprender, na interação com o outro, com o professor. Nada era questionável, tudo era poder do professor, desde o saber até a nossa reprodução de aprendizagem.

Hoje a escola é um espaço totalmente diferente: sem muros, cercas, paredes, grades, alarmes, câmaras de observação. Mas vejo a minha porta sempre “aberta” (aliás, essa foi a primeira coisa que eu quis fazer quando professora: deixar minha porta sempre aberta!”).
A escola é um lugar aberto para as idéias, para a troca, interação entre sujeitos, sujeitos esses que constroem sua história juntamente com a história do outro, fazendo então uma nova história (Paulo Freire) nesse fazer/refazer junto com alunos, colegas, professor, família. Estamos construindo juntos esse novo espaço de escolarização.
E muitos colegas também comungam desse mesmo fazer, desse mesmo pensar dessa nova escola que hoje vivemos. Compartilhando saberes e construindo história! Mas existem também, nesse mesmo espaço que utilizo, outros tantos profissionais que continuam fechados para tal construção: ainda vivem ensimesmados no seu saber, no seu poder!

Se antes a escola tinha um currículo único, para todos os alunos, em todas as escolas, hoje já não é assim. Temos uma base curricular comum, é verdade, mas temos uma parte diversificada, e é aqui que devemos nos apegar, fazer acontecer na nossa região, no nosso mundo, no nosso espaço, tudo aquilo que precisamos para inserir nosso aluno nesse mundo, partindo do seu mundo vivido, da realidade de cada lugarzinho, para garantirmos um lugar ao sol!

Deixar de ser criança, viver esse tempo de brincar, de ser feliz, sem responsabilidades financeiras, domésticas, sem horários rígidos, sem cumprir tarefas, metas... Somente depois de passar pela escola. Mas uma escola em que se aproveita as vivências da infância de verdade, de construir saberes comuns a todos, então é que poderá trabalhar. Mas que essa passagem pela escola lhe garanta as mesmas oportunidades do burguês, do afortunado, do filhinho de papai! Que lhe possibilite a dignidade de um emprego, da garantia dos seus direitos, com a cobrança dos seus deveres, que lhes permita viver bem, dentro daquilo que nos deveria ser garantido através da constituição dos nossos direitos.
Que sejamos nós, professores, os precursores dessas possibilidades. Não tenhamos medos, tenhamos abertura para a construção dessa nova escola.
A escola que eu vivo, que eu trabalho, esse espaço físico que ocupo diariamente, duzentos dias letivos por ano, não tem mais esse significado de “enclausuramento” de outrora, que o texto aponta!

Sou educadora de pequenos, trabalho na educação infantil com alunos de quatro anos e no ensino fundamental com alunos de seis/sete anos, e penso ser muito importante o professor ter uma característica de dedicação, pois meu aluno, ao adentrar nesse mundo escolar, novo para si, precisa ser acolhido com muito cuidado. É necessário que encontre, nesse primeiro momento, fragilizado do rompimento com a família, na pessoa do educador, um profissional dedicado, que lhes atenda com afeto e que suas intervenções pedagógicas sejam de docilidade. Esses pequenos deixam a sua estabilidade familiar, o seu espaço primeiro de socialização e se inserem na escola: pessoas diferentes para atendê-los, cuidá-los e ensiná-los (desde a higiene básica, comportamento, boas maneiras até os trabalhos de coordenação motora, percepção, visualização, lateralidade, artes, expressão, linguagens,...) e precisam ser bem acolhidos!

É por esse caminho que acredito que “ter capacidade de dedicação, é a característica mais importante para a minha profissão”.
Sem nenhuma sombra de dúvida, dominar conteúdos, técnicas e métodos são os aliados que dão suporte teórico para se fazer educação na prática, e devem caminhar juntas com a dedicação acima expressada.
Pois o professor educador precisa ter conhecimento do que ensinar (aprender) e saber como fazer esse aprender (ensinar) acontecer ao aluno. É necessário partilhar isso, construindo junto com o aluno, permitindo-lhe apropriar-se desse conhecimento, que não é só do professor, e deve ser disponibilizado para a re-construção do saber coletivo.
Stela Maris Dias 24.09.10 às 21.35

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

EIXO 9- PSICOLOGIA II

Da Psicologia II recortei essa atividade, postada no webfólio, pois mostra uma boa reflexão, onde eu falava de minhas aprendizagens referentes as TICs, e que foram transpostas numa visão a partir dessa fala de Piaget :“Diferentemente do que diz o senso comum, para quem a aprendizagem é um processo passivo, Piaget (1976, p.37) insiste na ideia de que conhecimento é ação, transformação e estabelecimento de relações, pois, “conhecer um objeto é agir sobre ele e transformá-lo, aprendendo os mecanismos dessa transformação, vinculados com as ações transformadoras. Conhecer é, pois, assimilar o real às estruturas de transformações”.

"Essa aprendizagem me foi oportunizada através da escola formal, ao entrar no curso do Pead, oferecido pela UFRGS no segundo semestre do ano de 2006. A aula inaugural do curso de Licenciatura em Pedagogia à Distância, acontecida no dia 21 de agosto desse mesmo ano foi um fato marcante na minha vida. Histórico. Desafiador. Temerário.
Então, após muitas noites de choro, desespero, água com açúcar e até reuniões de família para saber o que poderiam fazer para que eu aprendesse a manusear as ferramentas, apareceu o maior anjo das minhas madrugadas: a tutora Roberta! Pessoa extremamente dedicada, disponível todas as noites, que me ensinava tudo de novo. (Aqui fiz muitos exercícios repetitivos! Poderia até parodiar o sobrenome Roberta Skinner?). Depois, chega a professora Mara Níbia, que então me acalantou tantas madrugadas mais. Conversávamos por longo tempo, trocávamos muita conversa sobre Paulo Freire, escola, filhas, estudos, ferramentas.
Precisei dispor de muita atividade prática no manuseio das ferramentas para que essa aprendizagem acontecesse, e claro, a orientação constante dos professores e tutores, virtualmente, foi parte muito importante nesse processo.
Apropriei-me das ferramentas, entendendo do seu uso e manuseio, após uma sequencia de ações práticas, com atividades e orientações que eu ia realizando no computador. Após algum tempo, meu entendimento de que eu tinha a ferramenta disponível, já havia obtido orientações necessárias para manuseá-la e já havia interagido com as próprias ferramentas, então chegara o tempo de eu mesma arriscar! Aqui, eu própria passei a fazer as minhas tentativas, realizar as atividades, procurar os ícones e botões necessários. Conforme ia levantando minhas hipóteses, através da ação de clicar, o aprendizado ocorria." (Stela Maris Dias - 2009).

A bibliografia disponibilizada para essa atividade foi: Modelos Pedagógicos e Modelos Epistemológicos”, e “O que é Construtivismo?” do Professor Fernando Becker, e “Epistemologia Genética e Construção do Conhecimento” de Tânia Marques.

Psicologia

“Tudo está dentro da pedra, só raspamos as saliências necessárias”.
(Michelangelo).


As interdisciplinas referentes à Psicologia, tratadas no período do curso PEAD, foram disciplinas bem difíceis de se trabalhar, visto ser um campo amplo e denso para se adentrar, pelo fato de termos pouco conhecimento das teorias psicológicas que necessitamos estudar.

Embora tenhamos tido pinceladas do assunto em nosso curso de Magistério, e vivamos muitas situações engendradas na Psicologia, somos leigos no estudo e pouco sabemos do assunto.

Diagnosticamos dificuldades de aprendizagem, de relacionamento, de desenvolvimento psico-motor. Falamos bastante desses “nomes”, mas não temos embasamento teórico para “receitar muita coisa oficialmente” para sanar, ou ao menos amenizar esses comportamentos. Também enfrentamos outro desafio: nosso diagnóstico é sempre contestado por pais, por profissionais da saúde e até por nossos superiores.

Os estudos realizados nos três semestres dentro dessa Interdisciplina foram bem difíceis de dar conta, lemos Freud “Textos Introdutórios” e assistimos o filme “Além da Alma”.

Aqui tivemos muita dificuldade de entendimento aos conceitos usados pela teoria Freudiana, como ego,superego, id; menos difícil foi dar vazão a compreensão das fases de desenvolvimento pelas quais Freud afirma que os indivíduos passam a partir do nascimento: oral, anal, fálica, latência e genital. Pensar essas fases a partir da observação diária de nossos alunos foi uma tarefa mais fácil, pois temos a oportunidade de vivenciar situações que nos levam a encaixar determinados comportamentos que os alunos apresentam e então confrontar com esses estudos.
E podemos informar com mais propriedade de conhecimento os comportantos fora do esperado, repetitivos que alguns alunos apresentam, encaminhando-os a orientadora da escola que faz então um intercâmbio com os pais para auxiliar nessa dificuldade de adaptação do aluno ao convívio mais democrático com todos os outros, na turma e na própria escola.

Stela em 23.09.10 às 23.43

Eixo 2 - Escolarização e Infância

Fizemos uma leitura com o auxílio de glossário e reflexão do texto: “As crianças e a Infância: definindo conceitos, delimitando o campo” de Manuel Pinto e Manuel Jacinto Sarmento. "As crianças são tanto mais consideradas quanto mais diminui seu peso no conjunto da população". A partir daí, dizem ou autores "o mundo acordou para para a existência das crianças no momento em que elas existem em menor número relativo".

Essa leitura me remeteu a reflexões importantes: enquanto as políticas públicas se voltam a divulgação e exigência de cobrança dos direitos da criança, menos os políticos e gestores se preocupam com a operacionalização dessas políticas e garantia desses direitos.

Pois analisando a situação dos meus alunos confirmo que os pais têm sérios problemas para a garantia do direito básico, primordial de qualquer ser humano; o da alimentação. Por vezes sabemos que nossos alunos passam fome, não tendo uma dieta apregoada de frutas, carnes, verduras diariamente para uma saúde equilibrada e perfeita. E os pais estão desempregados, fazendo bicos, sem salário fixo e ainda são explorados em sua mão-de-obra desqualificada e por isso, mais barata de contratar.

Vivemos uma realidade de muita ostentação de “resolver o social com programas e ações” alardeadas mundialmente, contando façanhas incríveis de que damos conta de resolver as questões que são fajutamente engodo aos que assim se deixam iludir”!

Trago aqui um recorte da atividade que postei no webfólio “Somente a aquisição do direito, assegurado na Declaração Universal dos Direitos da Criança, aprovada pela ONU, não permite a esses pais sustentar seus filhos dignamente. Conseguem, a muito custo, dar-lhes o básico. O mínimo necessário á sobrevivência!”.

Um outro paradoxo que discuti também desse texto foi a partir da fala:
“os adultos desejarem e gostarem das crianças, apesar de produzirem cada vez menos crianças...

Aqui expus minha condição de mãe ao dar a luz aos 42 anos de idade minha primeira filha, Marina. Muito desejada, esperada demais. Uma verdadeira bênção para toda a família. Mas, bem mostrado o paradoxo pelos autores, não posso ficar o tempo todo com ela! Trabalho o dia inteiro, em duas escolas, fico o dia todo com os meus alunos e não posso prescindir desse tempo para ficar com minha filha... Isso acontece diariamente no meu trabalho, na educação infantil: os pais levam seus filhos na primeira hora da manhã para a escola, e só vêm pegá-los no final do expediente. Também não ficam com seus filhos o dia todo.

Parece até um contra-censo: amamos nossos filhos, por minha vez, mais que desejados, e não podemos cuidá-los, curti-los, viver esse tempo com eles.

Essa reflexões me foram possíveis com as leituras apresentadas nessas interdisicplinas, mais as minhas considerações como mãe, professora e supridora da casa juntamente com meu marido, além da convivência diária com alunos e pais.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Eixo 2

Encontrei uma única postagem referendando duas novas interdisciplinas:

“Estou gostando das novas interdisciplinas:
Escolarização, espaço e tempo e Infâncias de 0 a 10.
Muito interessantes os conteúdos abordados!
Esse "rever nossa memória", buscando fatos ali registrados está muito bom!
Parabéns!”

Busquei os trabalhos no Rooda para ver as reflexões ali constantes e poder trazer algum dado mais concreto sobre as aprendizagens ali construídas.
Stela Maris em 22.09.10 às 22.45


Busquei as atividades em meu webfólio para trazer alguma reflexão aqui sobre os conteúdos ali trabalhados e minha apropriações do assunto.

Tivemos a junção da interdisciplina apresentada com a Infância de 0 a 10 anos. As propostas de trabalho foram análises de filme e textos referentes à infância e sua construção. Direitos das criançase garantias desses direitos.

Nas atividades que reli, uma fala que trouxe é essa:

“Minhas crianças vivem esse tempo de infância bem vivida, bem como criança deve vivê-la mesmo! Brincam muito em casa. Correm, sobem nas árvores, jogam bola, brincam de casinha, jogam taco, futebol, encontram os vizinhos, divertem-se todo o tempo. E, quando chegam na escola, a brincadeira continua! Temos tempo livre pra brincarem na sala, todos os dias, vamos à pracinha, fazemos jogos e brincadeiras, rolam no chão, recortam, colam, pintam, remexem no baú de brinquedos, brincamos no pátio, lêem, pensam, conversam sobre sua vida em casa, na escola, no brinquedo, folheiam revistas, jornais, rasgam, amassam, modelam, encaixam peças, inventam mil e uma coisas...constroem muito brincando ... Durante o período do recreio brincam livremente com os outros alunos, das outras turmas, pulam corda, pula-pula, correm, jogam bola, futebol,... divertem-se bastante.”

Claro está que nem todas as crianças da escola têm essas atividades diárias, mas como meu trabalho é na educação infantil e nos primeiros anos do ensino fundamental, são atividades que acontecem a maior parte do tempo.

E aqui reflito que os alunos da educação infantil brincam muito mais na escola, onde exploramos o ensinar através do brincar, da brincadeira e do uso e manuseio de vários portadores de textos, quase exclusivamente com a intenção de exploração do mundo das letras, e sem a cobrança de avaliar, medir a aprendizagem da escrita e leitura que acompanha o movimento dos anos iniciais do ensino fundamental. Óbvio que relizamos um trabalho voltado ao desenvolvimento das habilidades e competências aos alunos dessa faixa etária.
Uma diferença que por vezes se acentua, pois ao sair da escola infantil e ingressar no ensino fundamental uma das coisas que primeiro preocupam a mim, é a questão avaliação, pois ali existe a promoção do aluno para o ano seguinte, ou não. E ai perde muito do quesito “lúdico” para a promoção dessa aprendizagem, numa ampla exploração desses materiais todos a disposição do aluno, havendo então uma outra visão, outra didática, empregada no ensino fundamental, que não deixa de ser castradora, e classificatória, pois já começamos o ano letivo pensando no final do ano, na avaliação, na aprovação e até na reprovação.

Também nossos gestores e governantes utilizam-se de várias cobranças nesse ponto, onde somos avaliados constantemente, medem todos os índices criados, e esquecem do primordial: melhorar as condições do trabalho que oferecemos com formação continuada, com aperfeiçoamento de técnicas e instrumentos que melhor nos equipem e ao espaço físico oferecido aos alunos, salário mais digno e promoção da valorização dos profissionais da educação, recuperação da profissão como fator primordial para essa valorização perdida ao longo de tantos anos de muita promessa e de pouca ação, pois as ações e políticas públicas utilizadas são sempre referentes ao valor de verbas para angariar alunos e não pra ofertar uma educação d equalidade para todos, alunos e profissionais da educação.
Os pais são outro fator de muito peso nessa didática da avaliação: querem e brigam e exigem que ofereçamos a mesma educação que tiveram a 30 -40 anos atrás, cobrando quadro cheio e caderno escrito todo o dia! Por muitas vezes temos que ouvir: não fizemos nada na aula hoje, não tem escrita no caderno! Mas realizamos uma excelente roda de conversas, falamos da importância de cuidar da natureza que ainda nos resta, os alunos representaram essa natureza em desenhos ilustrativos maravilhosos, e contaram aos colegas o que havia representado ali; numa outra atividade importantíssima realizamos uma roda de leituras: os alunos lêem os livros de histórias retirados na biblioteca e para a turma, nessa roda. Ao final, escolhemos qual a história que mais gostamos e fazemos propaganda escrita sobre o livro e colocamos no mural do corredor. Os alunos que ainda não lêem, contam a história na seqüência das imagens ou da sua lembrança. Assim como visitamos o quarteirão da escola e analisamos tudo o que vemos: natureza, limpeza, urbanidade, casas comerciais, fluxo de pessoas, cuidado no trânsito, uso da faixa de segurança,...

Todo esse movimento é algo que acrescenta muita aprendizagem mas que não está registrada no todo no caderno.

Enfim, alguns tantos professores acreditam nessa educação nova, de um jeito que ofereça uma amplidão de tantos saberes que se fundem nessa roda de conversa, nesse encontro de palavras que todos têm a oportunidade de falar, mostrar que conhecem aquelas árvores que estão ali na Cidade e que são importantes, que sabem contar a história dos pioneiros na construção desse Município e que os cupons fiscais retornam crédito em valores monetários aos cofres públicos.

E que assim que tivermos oportunidade vamos cobrar a parte dos governantes em melhorias para a nossa rua, para a construção da praça naquele bairro, e tantas coisas mais que podemos precisar.

Todas essas questões estão registradas em meu blog Bem-Me-Quer.

Stela em 23.09.2010, às 21.40