Essa atividade eu trouxe na íntegra do webfólio, pois é muito importante o que ali contém, fazendo-me ver o quanto eu já trazia de meu TCC nessas atividades, meu pensar sobre o ensino de História, as evidências do meu trabalho já ali descritas...
O título do trabalho: Propostas Pedagógicas e Projetos de Trabalho
“Cada professor deveria escolher o tema que lhe apaixona.”
Sara Pain
Ensino de Estudos Sociais no Currículo Escolar
“O indivíduo é um ser geneticamente social”, conforme Wallon. Isto é: a identidade do sujeito é um produto das suas relações com os outros. Nesse sentido todo indivíduo está povoado de outros grupos internos na sua história. (Madalena Freire).
“Os homens, de uma forma ou de outra, pertencem a uma sociedade,,trazendo consigo as marcas da vida social, a herança cultural dos grupos em que vive” – Aracy do rego Antunes, Heloísa Fesch Menandro e Tomoko Iyda Paganelli.
Partindo dessas afirmações, todo indivíduo vive e interage com outros tantos indivíduos, e nesse interagir com os outros vai-se fazendo convivência, construções e aprendizagens. Portanto, nada mais natural que seja parte integrante do currículo escolar o estudo das questões sociais que envolvem esses indivíduos, nas suas redes, nas suas tecituras construtivas, na sua vida em grupo. Afinal não se vive só.
O processo de socialização do indivíduo inicia com a formação dos pares, dos grupos, e a criança participa desses agrupamentos a partir da família: aqui estabelece as primeiras relações fundamentais com as pessoas e o ambiente em que está inserida, ampliando essa interação com a vizinhança, a escola, a igreja. Nesse vivenciar regras,, cultuar ritos, tradições, participar das decisões, das comemorações, vai tecendo sua vida social, autonomia individual e conquistando reciprocidade grupal.
Faz-se necessário ensinarmos Estudos Sociais nas nossas escolas para que possamos mostrar aos nossos alunos toda essa rede de vidas entrelaçadas, pois que cada indivíduo vive sua vida entremeada com outros tantos indivíduos. Fato importante que devemos permitir, dar a conhecer aos nossos alunos, é que a história se faz presente em nossas vidas hoje, com determinados fatos, relevantes ou não, mas que se dão também com outros, e com mais outros, ao longo da história da humanidade. A cada nova descoberta, e a cada vez que se encontram soluções para determinados problemas, vivenciados por determinados grupos, precisamos perpassar para além dos tempos, para outros tempos, dar a conhecer esses fatos, conquistas e soluções a tantas pessoas mais. Por exemplo: a descoberta da roda foi um marco histórico que possibilitou tantas construções com sua utilização: o automóvel, o carrinho do bebê, a roda do patinete,... e tantas outras rodas que foram sendo usadas em tantos outros objetos necessários ou não, importantes ou não, mas que permitiram ir muito além do “carrinho de pés dos Flintstones”. Mostrar aos nossos alunos o surgimento da escrita e o “seu antes da” , como necessidade de decodificar a sua leitura, comunicar-se mais precisamente com os outros e permitir então um diálogo entre diferentes, ou mesmo iguais ou semelhantes é muito importante. E aqui é necessário para que os indivíduos, aqui denominados simplesmente alunos, possam entender essa necessidade da comunicação. E assim, possam também desenvolver esse diálogo entre si e com todos. Em todos os tempos, com todas as suas implicações, todo indivíduo precisa “sair da casca”, “sair” debaixo da asa da progenitora”, ganhar o mundo e alçar vôos para além do horizonte. Isso, penso eu, deve permitir uma maior e melhor aprendizagem aos nossos alunos. Mostrar-lhes outras histórias, de outras comunidades, de outros povos, de outras épocas, de outros tantos olhares diferentes, divergentes, convergentes... Saber que outros olhos também olharam o que hoje vemos, pode nos possibilitar melhores condições de vida, trazendo-nos mais felicidade, prazeres e alegrias. Desafiar nosso aluno a adentrar nesse mundo dos outros, como algo importante para a construção do seu mundo, sabendo que o que foi passado trouxe lições e melhorias ao presente, e que possibilitará o vislumbre de um futuro mais promissor, será de grande valia para a construção de um aluno mais crítico, portanto conhecedor de práticas possíveis, para a transformação em favor de seu grupo e também dos outros grupos entrelaçados.
Permitir aos nossos alunos que conheçam e decifrem outros modos de vida e produção que já existiram e ainda existem, podem possibilitar-lhes tantas comparações com o que temos e vivemos hoje, pode abrir horizontes em busca de novas lutas para melhorar o convívio social, a qualidade de vida que vivem e ainda garantir-lhes direitos cidadãos, como sujeitos que contribuem com o Estado, e que necessitam receber em troca algo melhor para sua comunidade, mais benefício do que recebem. Caso não conheçam outro modo de vida, de produção, de partilha e distribuição, como poderão querer reivindicar melhorias? Como criticar um sistema se não temos outra comparação? Como ser sujeito se deixamos que vivam sem objetividade, na obscuridade? Memorização de datas comemorativas? Primeiros presidentes? O que nossos últimos governantes têm feito para que melhoremos? O que nos dão em troca do tanto que arrecadamos? Meus pequenos têm todo o direito de serem informados de tudo isso! E eu tenho obrigação, como educadora, como cidadã paga pelo Governo, de mostrar-lhes isso. E faço isso, sempre. E olha que meus pequenos têm entre 4 e 8 anos de idade. Com certeza aos 28, saberão muito bem onde vivem, como vivem e o que precisam fazer para viver melhor, em grupo, em comunidade. Saberão buscar melhorias, reivindicar melhores condições de vida. Estou sendo muito ousada, será? Quero daqui a 20 anos vê-los felizes, quero que tenham vez, e que possam manifestar sua voz, em alto e bom som: eu sou cidadão que luto por meus direitos e pelos direitos dos outros!
As autoras Aracy do Rego Antunes, Heloísa Fesch Menandro e Tomoko Iyda Paganelli, em seu livro Estudos Sociais – Teoria e Prática, tão bem colocam essas questões, quando falam “a compreensão dos conceitos do processo de integração social dos indivíduos na sociedade atual é fundamental para que o professor realize um trabalho pedagógico mais consciente e de mais qualidade”.
A disposição dos conteúdos constantes da grade curricular como Eu, Família, Bairro, Município, Estado, etc. a meu ver não modificam muito a importância que se deva dar aos Estudos Sociais, como parte integrante desse currículo. Claro que simplesmente EU, não diz muito de mim e do outro que me cerca; FAMÍLIA não contempla todas as denominações existentes, nem seus tipos, sua constituição, sua inserção numa determinada região, ou país, ou continente. MUNICÍPIO diz só do meu, não dos outros meus que existem, aqui no nosso Estado são 497 (?). Mas, o que penso ser mais importante ainda é “ o que o professor faz com essas questões, o que permite de discussão, de construção com seus alunos e o que ensina disso tudo”. Sou EU sozinho? É só minha família, só desse jeito? Sem outras constituições? Afinal, todo município é igualzinho ao outro, em nada difere? Em nada se assemelha? O que podemos generalizar, o que é específico, o que é possibilidade para todos?
Aqui gostaria de registrar um projeto que estou desenvolvendo nesse anos com meus pequenos do 1º e 2º ano do Ensino Fundamental na E E Professor Diestchi, em Rondinha- Cada aluno escolheu um lugar ou assunto para pesquisar, essa pesquisa se dá uma vez por semana na biblioteca, com um aluno só, apresento-lhes todo o material impresso que temos: Atlas, enciclopédias, livros específicos, mapas, revistas, jornais, Globo... e os ajudo a ler, comento e destacamos o que acham mais importante; a professora Lu, pesquisa com esse aluno na Internet, mais ou menos uma hora nesse mesmo dia; também procede a leitura e eles classificam o que é mais importante. Tudo anotado, no outro dia fazemos nossa “roda de socialização” dessa pesquisa: conversamos todos os alunos sobre todos os pontos anotados, e aqui vamos tecendo nossas comparações, descobrindo coisas de outros lugares, questionando o que nós temos aqui que são semelhantes, o que tem de diferente... Nossa, sai cada coisa interessante nesses momentos que alguns até emocionam! Meus pequenos se debruçam sobre os mapas, localizam os lugares, encontram seu local de nascimento, o lugar que o veranista vizinho mora; lêem as legendas, descobrem fronteiras e limites; conversam sobre noite e dia, no girar do globo, falam da falta de luz do sol,... E o brilho da curiosidade que destaca seus olhinhos por muitas vezes me emociona. Tão pouco isso que fazemos e eles mostram-se tão ávidos, satisfeitos e felizes só com isso! Essa é a melhor parte de ser professora. Todo esse trabalho está sendo (foi) registrado nesse endereço.
Rubem Alves disse, no vídeo que assistimos para o trabalho do Seminário Integrador diz na sua entrevista: “O segredo da educação é a cabeça do professor”. Vale para essa interdisciplina também. Minha indagação fica mesmo por aqui: O que eu, enquanto professora e aprendente posso possibilitar aos meus alunos aprendizes, e que juntos possamos construir muitos saberes, saberes já sabidos ou não, construídos ou em construção, mitificados ou desmitificados? Cabe a mim levar essa discussão ao redor de todo esse envolvimento de redes entrelaçadas dos indivíduos que vivem vidas juntas ou separadas, para que junto possamos entender e viver e conviver com essa gama de tanta coisa junto e possível. Então a ordem, o nome ou o que quer que se denomine como conteúdo ou tema, passa a ter menos importância se eu sei do meu papel e da responsabilidade que tenho enquanto educadora de levar isso tudo para a sala de aula, além de simplesmente ensinar-lhes a escrever seu nome, o nome do seu pai e a data do aniversário do município! Importa que possamos construir, desconstruir e reconstruir todas as possibilidades de aprendizagens, minha e do outro, com o outro e os outros. E como diz Marina Colassanti em seu “A moça tecelã: E tecendo ela própria trouxe o tempo.. que viveu... e começou a desfazer sua tecitura, aqui viu a possibilidade de tecer um recomeço...”.
Trouxe a atividade inteira, pois pensei ser bem merecedora de estar aqui, pois as reflexões são bem pertinentes ao meu trabalho de conclusão do curso.
Stela em 15.10.2010
Este blog tem a obrigação de conter as minhas reflexões a cerca dos estudos feitos em cada interdisciplina estudada no curso de Pedagogia à Distância da Ufrgs.
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sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Eixo 4 - Estudos Sociais 1
Atividade postada na interdicisplina e que fala da minha prática em sala de aula, que diz toda minha fala, mostra minha ideia e como lido com os conteúdos de História em sala de aula, e que é o meu foco do TCC:
"Meu trabalho é com alunos pequenos de educação infantil, entre 3 e quatro anos, e no de 1º e 2º anos do ensino fundamental. Por isso, meus conteúdos dos Estudos Sociais são sempre desenvolvidos através da história de cada um, envolvido em suas redes de construções históricas: meu nome, quem escolheu, por que esse nome, que significado tem,... Onde estou inserido: com quem moro, quem cuida de mim, o que faço sozinho, o que preciso de ajuda de outros, aonde vivo, que lugar nasci, que lugar moro hoje... Que espaços freqüento: escola, igreja, clube, roda de amigos, lugares que conheço, aonde vou e com quem?...Quem são os meus amigos, mudei de cidade?... O que gosto, o que não gosto, o que quero é possível agora ? Tenho tamanho, idade, maturidade? Cada coisa no seu tempo, cada coisa no seu lugar?! Posso fazer tudo o quero, quando quero, no lugar que quero? Cumprimento de regras, convenções, dúvidas, certezas... Enfim, tudo se vai construindo e se modificando com o passar do tempo. Essas modificações, transformações, construções e reconstruções também vão se modificando, amadurecendo, crescendo, ensinando e aprendendo.
. Esses acontecimentos, esse “passar o tempo e suas transformações” tornam-se necessários para se viver e conviver em nosso mundo atual, nas novas sociedades, formando-se novos grupos Todas essas transformações são para o bem? Ou algumas podem nos fazer mal? Por exemplo: destruição da natureza, retirada de dunas, matas, construções de rodovias, túneis, escavações, extinção de animais, modificação da paisagem natural?
...
Esses são os conteúdos que geralmente aparecem no meu trabalho diário sobre o “Lugar onde nasci, vivo e moro”. E as construções que faço na minha vida inteira.
Aqui é outro recorte da mesma atividade, num momento de fala sobre a memória da nossa vida, a nossa história vivida..
"Nossa história registra-se em nossa memória pelos fatos e acontecimentos vividos. É também registrado em documentos importantes: certidão de nascimento, carteira de identidade, carteira profissional, certidão de casamento, de óbito. Daí segue-se uma linha de registros como registros empregatícios, bancários, fotográficos, musicais, de moda, cartas, ofícios, atas, ... Acaso nossa memória não nos permita buscá-los, temos esses escritos que buscamos e retomamos essas lembranças.
Essa história é impregnada de emoções, sentimentos: traz consigo alegria, risos, dor ou sofrimentos. Delas podemos tomar forças pra buscar algo com mais afinco, com mais garra, podemos garantir conquistas e também pode nos levar às derrotas, as quedas, aos tombos... Mas pode nos tirar do “fundo do poço!” Ou nos elevar ao “paraíso celestial” num momento. Num átimo de segundo podemos ir ao ápice das nossas lembranças e nos regozijarmos, nos deliciarmos, nos lambuzarmos de felicidade, ou de tristezas!
Nossa história se dá através das nossas vivências, das nossas relações com o outro e com os grupos, é história pessoal, individual, ou coletiva. Todas as nossas vivências nos deixam marcas, umas mais leves, que nem nos lembramos mais, talvez num encontro com alguém do passado, (ou até mesmo recente), ela possa aparecer, mas sem muita importância, nem lembramos direito ou relegamos ao “não fez diferença”. Porém, há marcas tão profundas, que ficaram tão arraigadas na nossa memória, tão doídas, ou ainda tão emocionantes, que lembramos para sempre facilmente, e que logo nos vêm à memória, por um motivo, ou até mesmo por qualquer motivo. E essas lembranças marcantes, carregamos conosco pra sempre, durante toda a nossa vida, durante toda a construção da nossa história, quer por nos trazer alegria ou dor, que por nos delegar um comportamento idêntico, parecido ou por aversão a tais fatos ou acontecimentos e que transparecemos ao nos depararmos com essa situação ou nos defrontamos com elas sem percebermos!
Muitas vezes, esses fatos, acontecimentos, nem são de lembranças nossas, foram vividas pelos nossos pais, ou alguém muito especial que fez ou faz parte da nossa vida, que depois nos contaram. "
Stela em 15.10.2010
"Meu trabalho é com alunos pequenos de educação infantil, entre 3 e quatro anos, e no de 1º e 2º anos do ensino fundamental. Por isso, meus conteúdos dos Estudos Sociais são sempre desenvolvidos através da história de cada um, envolvido em suas redes de construções históricas: meu nome, quem escolheu, por que esse nome, que significado tem,... Onde estou inserido: com quem moro, quem cuida de mim, o que faço sozinho, o que preciso de ajuda de outros, aonde vivo, que lugar nasci, que lugar moro hoje... Que espaços freqüento: escola, igreja, clube, roda de amigos, lugares que conheço, aonde vou e com quem?...Quem são os meus amigos, mudei de cidade?... O que gosto, o que não gosto, o que quero é possível agora ? Tenho tamanho, idade, maturidade? Cada coisa no seu tempo, cada coisa no seu lugar?! Posso fazer tudo o quero, quando quero, no lugar que quero? Cumprimento de regras, convenções, dúvidas, certezas... Enfim, tudo se vai construindo e se modificando com o passar do tempo. Essas modificações, transformações, construções e reconstruções também vão se modificando, amadurecendo, crescendo, ensinando e aprendendo.
. Esses acontecimentos, esse “passar o tempo e suas transformações” tornam-se necessários para se viver e conviver em nosso mundo atual, nas novas sociedades, formando-se novos grupos Todas essas transformações são para o bem? Ou algumas podem nos fazer mal? Por exemplo: destruição da natureza, retirada de dunas, matas, construções de rodovias, túneis, escavações, extinção de animais, modificação da paisagem natural?
...
Esses são os conteúdos que geralmente aparecem no meu trabalho diário sobre o “Lugar onde nasci, vivo e moro”. E as construções que faço na minha vida inteira.
Aqui é outro recorte da mesma atividade, num momento de fala sobre a memória da nossa vida, a nossa história vivida..
"Nossa história registra-se em nossa memória pelos fatos e acontecimentos vividos. É também registrado em documentos importantes: certidão de nascimento, carteira de identidade, carteira profissional, certidão de casamento, de óbito. Daí segue-se uma linha de registros como registros empregatícios, bancários, fotográficos, musicais, de moda, cartas, ofícios, atas, ... Acaso nossa memória não nos permita buscá-los, temos esses escritos que buscamos e retomamos essas lembranças.
Essa história é impregnada de emoções, sentimentos: traz consigo alegria, risos, dor ou sofrimentos. Delas podemos tomar forças pra buscar algo com mais afinco, com mais garra, podemos garantir conquistas e também pode nos levar às derrotas, as quedas, aos tombos... Mas pode nos tirar do “fundo do poço!” Ou nos elevar ao “paraíso celestial” num momento. Num átimo de segundo podemos ir ao ápice das nossas lembranças e nos regozijarmos, nos deliciarmos, nos lambuzarmos de felicidade, ou de tristezas!
Nossa história se dá através das nossas vivências, das nossas relações com o outro e com os grupos, é história pessoal, individual, ou coletiva. Todas as nossas vivências nos deixam marcas, umas mais leves, que nem nos lembramos mais, talvez num encontro com alguém do passado, (ou até mesmo recente), ela possa aparecer, mas sem muita importância, nem lembramos direito ou relegamos ao “não fez diferença”. Porém, há marcas tão profundas, que ficaram tão arraigadas na nossa memória, tão doídas, ou ainda tão emocionantes, que lembramos para sempre facilmente, e que logo nos vêm à memória, por um motivo, ou até mesmo por qualquer motivo. E essas lembranças marcantes, carregamos conosco pra sempre, durante toda a nossa vida, durante toda a construção da nossa história, quer por nos trazer alegria ou dor, que por nos delegar um comportamento idêntico, parecido ou por aversão a tais fatos ou acontecimentos e que transparecemos ao nos depararmos com essa situação ou nos defrontamos com elas sem percebermos!
Muitas vezes, esses fatos, acontecimentos, nem são de lembranças nossas, foram vividas pelos nossos pais, ou alguém muito especial que fez ou faz parte da nossa vida, que depois nos contaram. "
Stela em 15.10.2010
Eixo 4 Estudos Sociais
Estou trazendo meus escritos realizados nessa interdisicplina do eixo 4 visto que tem tudo a ver com meu TCC: É possível ensinar história na Educação Infantil?
Recortei essa fala que escrevi numa proposta de atividade da Interdisciplina Representação do Mundo pelos Estudos Sociais, do eixo 4, e que fala da minha prática sobre o desenvolvimento desses conteúdos em sala de aula, e tratam do tema específico que trouxe para meu TCC: O ensino de história na educação infantil:
A leitura do texto “Do acaso à intenção em Estudos Sociais” de Maria Aparecida Bergamaschi, trouxe muitas informações sobre a história da apresentação dos conteúdos de Estudos Sociais nas nossas escolas em tempos passados, mostrando-nos um tempo bem concreto, onde eu mesma vivi essa prática como aluna nos anos 70/80, onde era-nos mostrado um Brasil de “heróis”, que lutaram guerras “inexistentes-distantes-forjadas... reais ou imaginárias?!”. Bem longe da nossa realidade de pescadores, pioneiros batalhadores na construção de uma nova “metrópole litorânea”, hoje nosso querido município de Arroio do Sal, abrindo estrada na mata, em direção ao mar, viajando em carretas puxadas por bois, fazendo charque do pescado e lutando pela sobrevivência em condições nem sempre favoráveis: chuvas, ventos constantes e muitos quilômetros distantes da praia. Caminhando sob sol forte, descansando à beira do arroio, sob frondosas árvores, iscando “espinhel”, malhando redes, fazendo balaios com palhas e cipós...
... minha prática pedagógica na aplicação dos conteúdos de Estudos Sociais refere-se basicamente a construção da história de cada aluno, inseridos numa mesma comunidade, vivendo em grupos diferentes, mas que se encontram periodicamente em grupos comuns. Trabalho com alunos pequenos, de 4 anos na educação infantil e de 6 a 8 anos nos anos iniciais do ensino fundamental, e procuro sempre “integrar as vivências de cada aluno, suas individualidades, suas significações, o seu passado (o nascimento) a construção do seu presente (referindo o seu crescimento, as mudanças que vão ocorrendo, no tamanho, desde dependência para alimentar-se, vestir-se, ser levado para algum lugar, até o hoje), comparando com a vivência do outro, com as características do outro, com as diferenças de pensar e de viver e de fazeres. Incluindo aí a família (pessoas com quem moro, quem vive na minha casa), onde moro, quais benefícios tem na minha rua (luz elétrica, calçamento, água tratada, , comissão de bairro, quem luta por melhorias,...) raça, crenças, gostos e preferências. Uso também a origem da família, de onde vieram? Porque saíram de lá? O que os trouxe até aqui? Visto que somos uma praia litorânea e que demanda muito emprego no verão, temos muitas famílias que migram para cá em meados de novembro, mas que temos um inverno de baixíssima temporada, sem emprego, sem muita opção de sobrevivência financeira e isso faz com que muitos voltem pra cidade de onde vieram e retornem na alta temporada, gerando um ir e vir constante, sem fixar raízes, sem aprofundar amizades, sem muito apego. Como diz a Madalena Freire “o planejamento tem que ser aberto e carregado de possibilidades de ensino para a cidadania crítica, onde os alunos possam participar da aprendizagem e do processo histórico que estão vivendo, inseridos naquele espaço e naquele tempo”. Como meus alunos são pequenos, utilizo muito a “roda de conversa” para tratarmos todos esses assuntos, então fazemos registros, geralmente em desenhos dirigidos, mas feitos livremente pelos alunos, e registrados em livrinhos individuais. Penso que com esse trabalho simples que faço consigo que meu aluno pense um pouquinho de si, mas também conhece um pouquinho do outro e de como vivem, onde vivem, porque vivem nesse momento aqui e em outro momento noutro lugar...
Stela em 15 de outubro de 2010.
Recortei essa fala que escrevi numa proposta de atividade da Interdisciplina Representação do Mundo pelos Estudos Sociais, do eixo 4, e que fala da minha prática sobre o desenvolvimento desses conteúdos em sala de aula, e tratam do tema específico que trouxe para meu TCC: O ensino de história na educação infantil:
A leitura do texto “Do acaso à intenção em Estudos Sociais” de Maria Aparecida Bergamaschi, trouxe muitas informações sobre a história da apresentação dos conteúdos de Estudos Sociais nas nossas escolas em tempos passados, mostrando-nos um tempo bem concreto, onde eu mesma vivi essa prática como aluna nos anos 70/80, onde era-nos mostrado um Brasil de “heróis”, que lutaram guerras “inexistentes-distantes-forjadas... reais ou imaginárias?!”. Bem longe da nossa realidade de pescadores, pioneiros batalhadores na construção de uma nova “metrópole litorânea”, hoje nosso querido município de Arroio do Sal, abrindo estrada na mata, em direção ao mar, viajando em carretas puxadas por bois, fazendo charque do pescado e lutando pela sobrevivência em condições nem sempre favoráveis: chuvas, ventos constantes e muitos quilômetros distantes da praia. Caminhando sob sol forte, descansando à beira do arroio, sob frondosas árvores, iscando “espinhel”, malhando redes, fazendo balaios com palhas e cipós...
... minha prática pedagógica na aplicação dos conteúdos de Estudos Sociais refere-se basicamente a construção da história de cada aluno, inseridos numa mesma comunidade, vivendo em grupos diferentes, mas que se encontram periodicamente em grupos comuns. Trabalho com alunos pequenos, de 4 anos na educação infantil e de 6 a 8 anos nos anos iniciais do ensino fundamental, e procuro sempre “integrar as vivências de cada aluno, suas individualidades, suas significações, o seu passado (o nascimento) a construção do seu presente (referindo o seu crescimento, as mudanças que vão ocorrendo, no tamanho, desde dependência para alimentar-se, vestir-se, ser levado para algum lugar, até o hoje), comparando com a vivência do outro, com as características do outro, com as diferenças de pensar e de viver e de fazeres. Incluindo aí a família (pessoas com quem moro, quem vive na minha casa), onde moro, quais benefícios tem na minha rua (luz elétrica, calçamento, água tratada, , comissão de bairro, quem luta por melhorias,...) raça, crenças, gostos e preferências. Uso também a origem da família, de onde vieram? Porque saíram de lá? O que os trouxe até aqui? Visto que somos uma praia litorânea e que demanda muito emprego no verão, temos muitas famílias que migram para cá em meados de novembro, mas que temos um inverno de baixíssima temporada, sem emprego, sem muita opção de sobrevivência financeira e isso faz com que muitos voltem pra cidade de onde vieram e retornem na alta temporada, gerando um ir e vir constante, sem fixar raízes, sem aprofundar amizades, sem muito apego. Como diz a Madalena Freire “o planejamento tem que ser aberto e carregado de possibilidades de ensino para a cidadania crítica, onde os alunos possam participar da aprendizagem e do processo histórico que estão vivendo, inseridos naquele espaço e naquele tempo”. Como meus alunos são pequenos, utilizo muito a “roda de conversa” para tratarmos todos esses assuntos, então fazemos registros, geralmente em desenhos dirigidos, mas feitos livremente pelos alunos, e registrados em livrinhos individuais. Penso que com esse trabalho simples que faço consigo que meu aluno pense um pouquinho de si, mas também conhece um pouquinho do outro e de como vivem, onde vivem, porque vivem nesse momento aqui e em outro momento noutro lugar...
Stela em 15 de outubro de 2010.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Eixo 4
Visitando minhas postagens no portfólio desse IV eixo, não encontrei muitas reflexões da interdisciplinas, apenas algumas do seminário integrador 4. Das interdisicplinas pouco encontrei, e nada que me trouxesse alguma reflexão maior para trazer aqui.
O que encontrei do seminário integrador foi bem importante rever, pois trouxe a atividade realizada em sala de aula, com os alunos, onde registrei como evidência da tarefa proposta a criação de um "Livro das Curiosidades", onde ali deixei regsitrada a importãncia da tarefa do professor perguntar mais ao aluno, até escrevi essa fala:
"Necessário se faz que tenhamos uma fazer pedagógico novo para esse assunto: " a escola pressupõe o lugar do conhecimento, da produção da cultura, da desmitificação do certo/errado, da verdade/inverdade, da comprovação e da aceitação." Na sociedade contemporânea se faz necessário ampliar as possibilidades de representações, sem dominação do branco sobre o negro, do pobre sobre sobre o rico, do homem sobre a mulher. Desmitifiquemos o senso comum e passemos a ter uma escola de produção de verdade e comprovações, dúvidas e questionamentos, de construção de conhecimentos, de pesquisa e buscas constantes!"
Isso me fez relembrar as atividades que realizamos em meu estágio curricular, onde trabalhei com as histórias de todos os alunos, cada um com suas individualidades, e que agregamos em coletivo na turma, onde todos compõem a coletividade da turma, trazendo suas verdades e ampliando-as, unindo-as com os outros indivíduos que ali estão.
... "quando um professor pretende saber tudo, as crianças ficam com a impressão de que o conhecimento consiste em somente emitir resposta memorizada, em vez de algo a ser buscado e criado". Aqui me lembrei de quantas vezes caímos nesse erro. Nós mesmo precisamos admitir que não acertamos sempre... Mas, o mais importante de tudo isso que me ficou, foi a certeza de que todos nós podemos modificar nossa a prática pedagógica, melhorando-a diariamente. Podemos começar a praticar mais "perguntas" ao invés de dar tantas respostas aos nossos alunos."
Palavras interessantes essas que escrevi, lá no início de 2008, e que me acompanham durante esses anos todos de trabalho na escola, mas que por vezes, nos esquecemos, e acabamos por simplesmente reproduzir uma educação de faz-de-conta que ensino enquanto a maioria dos alunos fazem de conta que aprendem!
O importante de tudo é a lição que fica e que podemos sim fazer diferente o nosso dia-a-dia na escola, possibilitanbdo nosso aluno de trazer suas histórias para dentro da sala de aula e partindo dela, engendramos todo o conhecimento que o aluno traz e que agregamos ao saberde todos.
Stela 14.10.2010.
O que encontrei do seminário integrador foi bem importante rever, pois trouxe a atividade realizada em sala de aula, com os alunos, onde registrei como evidência da tarefa proposta a criação de um "Livro das Curiosidades", onde ali deixei regsitrada a importãncia da tarefa do professor perguntar mais ao aluno, até escrevi essa fala:
"Necessário se faz que tenhamos uma fazer pedagógico novo para esse assunto: " a escola pressupõe o lugar do conhecimento, da produção da cultura, da desmitificação do certo/errado, da verdade/inverdade, da comprovação e da aceitação." Na sociedade contemporânea se faz necessário ampliar as possibilidades de representações, sem dominação do branco sobre o negro, do pobre sobre sobre o rico, do homem sobre a mulher. Desmitifiquemos o senso comum e passemos a ter uma escola de produção de verdade e comprovações, dúvidas e questionamentos, de construção de conhecimentos, de pesquisa e buscas constantes!"
Isso me fez relembrar as atividades que realizamos em meu estágio curricular, onde trabalhei com as histórias de todos os alunos, cada um com suas individualidades, e que agregamos em coletivo na turma, onde todos compõem a coletividade da turma, trazendo suas verdades e ampliando-as, unindo-as com os outros indivíduos que ali estão.
... "quando um professor pretende saber tudo, as crianças ficam com a impressão de que o conhecimento consiste em somente emitir resposta memorizada, em vez de algo a ser buscado e criado". Aqui me lembrei de quantas vezes caímos nesse erro. Nós mesmo precisamos admitir que não acertamos sempre... Mas, o mais importante de tudo isso que me ficou, foi a certeza de que todos nós podemos modificar nossa a prática pedagógica, melhorando-a diariamente. Podemos começar a praticar mais "perguntas" ao invés de dar tantas respostas aos nossos alunos."
Palavras interessantes essas que escrevi, lá no início de 2008, e que me acompanham durante esses anos todos de trabalho na escola, mas que por vezes, nos esquecemos, e acabamos por simplesmente reproduzir uma educação de faz-de-conta que ensino enquanto a maioria dos alunos fazem de conta que aprendem!
O importante de tudo é a lição que fica e que podemos sim fazer diferente o nosso dia-a-dia na escola, possibilitanbdo nosso aluno de trazer suas histórias para dentro da sala de aula e partindo dela, engendramos todo o conhecimento que o aluno traz e que agregamos ao saberde todos.
Stela 14.10.2010.
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