sexta-feira, 22 de maio de 2009

Tecnologias Assistivas

A Educação Especial está nos proporcionando excelente encontro de trocas através dos Fóruns que nos tem oferecido.
Ali nesse espaço temos momentos de estudos, na obrigatoriedade das leituras exigidas (e que nem sempre consigo dar conta!) e também nos oportuniza encontros ma-ra-vi-lho-sos com os colegas e professores.
Quero ressaltar que esses "encontros com os outros colegas" são os melhores momentos, pois conseguimos fazer uma rede de estudos interligada com nossas práticas, engendrando nossas reflexões. Permitindo então melhoria dos nossos conhecimentos através dessa interação de todos os pensares e fazeres que ali sobressaem.
Desejo que todas nós possamos realmente tirar muito proveito de tudo o que nos está sendo oferecido.
No texto de Rita Bersch ela conceitua TA "expressão utilizada para identificar todo o arsenal de recursos e serviços que contribuam para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiências, promovendo vida independente e inclusão...é buscar, com criatividade, um alternativa para se realizar o que deseja ou precisa, é encontrar um aestratégia de fazer do "seu jeito", valorizando esse jeito, aumentando capacidades, criando alternativas e envolvendo o aluno, desafiando-os a experimentar e permitir uma construção individual ou coletiva de novos conhecimentos".
Penso que isso se aplica também a nós, alunos peadianos, em diferentes escolas, com diferentes pensamentos e fazeres, com diferentes olhares e que somos levados a pensar juntos em nossas individualidades, as nossas práticas isoladas umas das outras pela distância, pelas vivências, pelo planejamento, pelo físico, pela diversidade, pelas especifidades.
Que bom entender isso aqui, dentro dessa interdisciplina que está nos permitindo pensar a inclusão de especiais, mas que também nos brinda com essa permissão especial de pensarmos em nós também como inclusos de uma maneira diferente de aprender.

sábado, 16 de maio de 2009

Ancestralidade

Hoje tive um tempo e consegui fazer a leitura do texto "Em busca de uma Ancestralidade Brasileira", de Daniel Mundurucu.

O texto, de uma beleza ímpar, nos convida a muitas reflexões sobre a nossa vida presente.
Nele, Daniel exalta sua identidade étnica indígena, contando suas descobertas através das lembranças de como aprendeu a SER índio.

Conta que foi com seu avô que aprendeu isso, e foi introduzido por ele (o avô) no universo da sabedoria indígena.

Acrescenta que o "interessante é que muito desse conhecimento lhe foi passado sem dizer palavra alguma", relatando que via seu avô permanecer calado, numa calma posição de meditação profunda por horas, no silêncio de sua vida, na perfeita harmonia em que vivia.
Daniel Mundurucu diz que o silêncio talvez tenha sido sua grande primeira lição!

Essa passagem do seu texto me chamou a atenção para o fato de que eu tenho vivido meus novos e atuais tempos maternais, familiares e peadianos envolta em muito "barulho"...

Pois nesses novos tempos que tenho vivido, venho
falando muito,
ouvindo muito,
gritando muito.

Talvez essa oportunidade de refletir sobre o silêncio na vida do autor,
seja um forma de aprender que
"eu preciso de meu silêncio interior".

Que eu devo me permitir uma meditação profunda a partir da minha essência,
para buscar no meu silêncio íntimo o meu caminho,
o percurso do rio interior!

A natureza tem um tempo e nós devemos seguir o mesmo tempo dela.
Sem pressa, sem apressamentos,
sem gritos e sem tantas palavras.

Penso que meu tempo de hibernação interior é chegado.

Daniel Mundurucu diz:
"Aprendi que uma das maneiras mais interessantes de falar às pessoas é contar um pouco da nossa história, a fim de que possam pensar na própria vida e do jeito que ela está sendo construída... assim as pessoas percebem que somos a continuação de um fio que se constrói no invisível...Somos a continuação de um fio que nasceu há muito tempo atrás...Vindo de outros lugares... Iniciado por outras pessoas... Completado, remendado, costurado e continuado por nós. De forma mais simples, podríamos dizer que temos uma ancestralidade, um passado, uma tradição que precisa ser continuada, costurada todo dia".

Traz ainda a informação primordial que "as angústias é que nos levam a crises, e quem não tem uma ancestralidade não têm onde se apegar".

O índio não tem crise existencial porque
vive no presente,
sem esquecer do passado
e sem desejar o futuro!

Conta que ouvia do seu avô essa máxima:
se o momento atual não fosse bom, não teria o nome de presente.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Outros lugares!

Ontem estive em visita a outro polo do Pead.
Entrei no work do polo Gravatai e visitei o PA de um grupo Inclusão, especialmente pelo nome, pois este assunto tem me prendido nesse semestre.
O work está muito bem organizado.
O PA também está bem distribuido em páginas específicas.
Tudo muito bem relatado.
Gostei bastante desse trabalho, assim que me sobrar um tempo maioir, vou explorá-lo bastante.

Algo que já chamou a atenção num outro semestre em que fiz essa excursõa, foi a apresentação dessas ferramentas muito bem apresentadas, super organizadas, parece trabalho até de expert.

Me deu uma inveja boa, de ter mais tempo para me dedicar a transformar meus works em lugares "agradáveis de ser vistos e visitados"! assim como aqueles que "olhei".
Bom , como tudo é possível, quem sabe daqui a pouco já consiga me organizar melhor nesse sentido, de apresentação organizada desse espaço.

Aproveitei também e visitei um portfólio de aprendizagens, o da Beatriz Leal Lopes, gostei muito das postagens ali contidas, também bem claras, com relatos que demonstram toda a preocupação da colega com referência a violência nas escolas, vivenciada por ela própria. Então deixei um comentário na postagem intitulada "Violência na Escola".

Por exclusiva falta de tempo não me detive muito nessa visita, mas tqmbém prometo que assim que houver tempo, vou repetir o exercício e excursionar pelos outros pólos.

domingo, 10 de maio de 2009

FILOSOFIA

MORAL E ÉTICA

“O importante não é viver, mas viver com retidão”.
(Sócrates)

Conforme pesquisa realizada “moral e ética geralmente são usadas como sinônimo de conjunto dos princípios ou padrões de conduta. A sua etimologia “mores” no latim e “ethos” no grego é indicativa de significado comum, remetendo à ideia de costume.

Conforme os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998) a filosofia define moral como o conjunto dos princípios, crenças e regras que orientam o comportamento dos indivíduos nas diversas sociedades e a ética como a reflexão crítica da moral.

Sabendo-se que nossa sociedade criou, culturalmente, princípios e regras específicas, que indicam nossos direitos, obrigações e deveres, que se traduzem numa série de orientações a serem seguidas para o bom convívio entre os indivíduos, espera-se que cada um seja responsável por seus atos, recebendo em troca essa mesma reciprocidade.

Aranha (2002) diz que “a aprendizagem da vida moral não é espontânea nem resulta de um automatismo, daí as dificuldades que impedem muitos de alcançarem níveis morais mais altos, em face das características individualistas e altamente competitivas da sociedade em que vivemos.

A palavra “competição” é uma relação desarmônica, em que pelo menos uma das espécies envolvidas é prejudicada, conforme Machado, 2003. Diz ainda: transpondo o conceito de competição para os grupos humanos encontramos muitas semelhanças com a ecologia. A competição pode levar indivíduos a agirem uns contra os outros em busca de melhor situação, se não tivermos agregados princípios morais e éticos.

Deixo aqui essa fala de Reboul (1985): “todo professor é professor de moral, ainda que o ignore”.

Cabe a nós agora, após essa colocação, revermos nossa prática cotidiana de sala de aula, no sentido de ampliarmos, trazermos a moral e a ética como conteúdo a ser trabalhado, mostrando aos nossos alunos a importância e a necessidade de conhecermos as regras que nos regem, os direitos que temos, mas também nosso deveres para com o mundo que nos cerca. Tornando-nos indivíduos melhores do que somos na coletividade e na nossa individualidade.



Bibliografia:
Valores morais e éticos: reflexões a cerca das estratégias pedagógicas e suas implicações na Educação Básica para o desenvolvimento humano. Disponível em: http://74.125.47.132/search?q=cache:buHriZGkDjUJ:www.moodle.ufba.br/file.php/175/Valores_morais_e_eticos.doc+principios+morais+e+eticos&cd=2&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br
BARCALLOW, Emmett. Juízos morais e princípios morais. Disponível em:
http://www.pensamentocritico.com/index.php?option=com_content&task=view&id=27&Itemid=29

quinta-feira, 7 de maio de 2009

APRENDIZAGENS

“Aprender é proceder a uma síntese indefinidamente renovada entre a continuidade e a novidade.”
(Inhelder, Bovet e Sinclair, 1977, p.263)

Ao longo de toda a nossa vida, vamos construindo aprendizagens às mais diversas e por diversos meios: ensino escolar, experiências práticas profissionais, estudos individuais de interesse próprio, interações com outros e conosco mesmo. Enfim, é um eterno aprender, reaprender, aprender de novo! Com o passar dos anos, parece-me que é mais fácil o nosso entendimento, tenho a impressão que o amadurecimento nos permite uma maior e melhor compreensão das questões que nos exigem obter informações, refleti-las e processá-las em aprendizagens.
Venho contar dessas aprendizagens nessa atividade. Das últimas aprendizagens que me apropriei, a entrada no mundo virtual foi a mais significativa dos últimos tempos. Conhecer e dominar algumas das ferramentas tecnológicas que eu nem tinha ideia de como se processava, até inimagináveis para mim, foi um marco divisório de águas na minha vida pessoal, familiar e profissional!
Essa aprendizagem me foi oportunizada através da escola formal, ao entrar no curso do Pead, oferecido pela UFRGS no segundo semestre do ano de 2006. A aula inaugural do curso de Licenciatura em Pedagogia à Distância, acontecida no dia 21 de agosto desse mesmo ano foi um fato marcante na minha vida. Histórico. Desafiador. Temerário.
Ao mesmo tempo algo prazeroso, bonito, gostoso. Algo que ficou marcado em minhas lembranças foi a fisionomia das pessoas que ali estavam para nos receber: todas, sem exceção denotavam alegria e felicidade. A professora Marie Jane, a professora Maximira, o prefeito Municipal, a secretária de educação do Município de Três Cachoeiras, Alda Glaciela, a professora das Tics (não lembro o primeiro nome, somente o sobrenome Taruco!). Os primeiros tutores: Milton e Alexandra. Nossa! Que expressão feliz toda essa gente trazia no rosto!
Depois, ao realizar uma atividade de reflexão sobre essa primeira aula, nossas expectativas e desafios para o curso, entendi que todas aquelas pessoas simplesmente refletiam a minha alegria e felicidade de estar ali, inclusa num curso superior.
Passado esse primeiro “dia mágico de felicidade geral da nação peadiana- TC” a bomba caiu: como dar conta de estudar nesse mundo virtual das tecnologias da comunicação sem conhecimento e domínio das ferramentas?
Aqui começou a minha dura batalha para apropriar-me das tão temidas ferramentas virtuais! Os tutores da sede: Milton e Alexandra foram os precursores nessa caminhada: através de email, do A-2 (MSN do rooda) tecemos nossas primeiras comunicações. Aqui criei e-mail, blog e wikis. Foi o auxílio constante da Alexandra, nas altas horas da noite, ensinando, dizendo assim: olha ali, o desenhinho da direita, mais pra cima, clica ali e abre outra porta... Que não me deixou desistir.
Então, após muitas noites de choro, desespero, água com açúcar e até reuniões de família para saber o que poderiam fazer para que eu aprendesse a manusear as ferramentas, apareceu o maior anjo das minhas madrugadas: a tutora Roberta! Pessoa extremamente dedicada, disponível todas as noites, que me ensinava tudo de novo. (Aqui fiz muitos exercícios repetitivos! Poderia até parodiar o sobrenome Roberta Skinner?). Depois, chega a professora Mara Níbia, que então me acalantou tantas madrugadas mais. Conversávamos por longo tempo, trocávamos muita conversa sobre Paulo Freire, escola, filhas, estudos, ferramentas. Pessoas inesquecíveis nessa minha caminhada acadêmica: professora Nádie, sempre disponível e professora Simone Bicca. Ambas, até hoje, pessoas para quem eu corro nas minhas recaídas de wikis, blogs, conexão...
Precisei dispor de muita atividade prática no manuseio das ferramentas para que essa aprendizagem acontecesse, e claro, a orientação constante dos professores e tutores, virtualmente, foi parte muito importante nesse processo.
Apropriei-me das ferramentas, entendendo do seu uso e manuseio, após uma sequencia de ações práticas, com atividades e orientações que eu ia realizando no computador. Após algum tempo, meu entendimento de que eu tinha a ferramenta disponível, já havia obtido orientações necessárias para manuseá-la e já havia interagido com as próprias ferramentas, então chegara o tempo de eu mesma arriscar! Aqui, eu própria passei a fazer as minhas tentativas, realizar as atividades, procurar os ícones e botões necessários. Conforme ia levantando minhas hipóteses, através da ação de clicar, o aprendizado ocorria.

Então, trago aqui esse recorte:
“Diferentemente do que diz o senso comum, para quem a aprendizagem é um processo passivo, Piaget (1976, p.37) insiste na ideia de que conhecimento é ação, transformação e estabelecimento de relações, pois, “conhecer um objeto é agir sobre ele e transformá-lo, aprendendo os mecanismos dessa transformação, vinculados com as ações transformadoras. Conhecer é, pois, assimilar o real às estruturas de transformações”.


domingo, 3 de maio de 2009

PROJETOS DE APRENDIZAGEM



Comentando PAS

Ao longo do semestre passado tivemos como atividade a construção de um Projeto de Aprendizagem em GRUPO.
Em meu grupo nada aconteceu de grupo, ou quase nada.

Tivemos todas as dificuldades possíveis:
falta de comprometimento dos componentes,
e de tempo,
não conseguimos o que nos propúnhamos no início,
trocamos nosso enfoque,
não registramos em tempo hábil nossa elaborações,
não conseguimos nos apropriar da ferramenta Cmaps,
sobrecarregamos uma só para os registros,
não fizemos quase nada,
não aprendemos quase nada,
não ousamos absolutamente nada!
Tentamos muito pouco como grupo!
...

Então ao final de semestre tivemos a informação que o PA seria retomado no próximo semestre, e que então nos preocupássemos em registrá-lo conforme estava.
Foi exatamente isso que fizemos: do jeito que estava.
Quase nada.

Aí entramos no eixo VI.
Esqueçam o PA.
Criem um wiki (agora work?!).
Registrem lá o que têm.

Do mesmo modo que fizemos no V semestre repetimos:
uma única colega criou e editou
na pressa,
sem tempo,
sem nenhuma preocupação com estética,
organização do texto,
ou de melhorar nosso PA.
Novamente sem nenhum encontro,
as colegas não se manifestaram,
ninguém se prontificou a partilhar a edição do work!

Próxima tarefa:
Analisar um PA ( escolhido aleatoriamente pelos professores).
Uma enorme “lista de pontos a observar” (alguns até hoje nem sei o que quer dizer!).
E postar no work do grupo.

Próxima atividade:
Refletir o seu PA após os comentários dos colegas.

Ufa.
Essa foi barbada.
Sabíamos como estava nosso trabalho; incompleto, pobre, inodoro.
Sem sabor!

Fizemos nossa reflexão do mesmo jeito: sem GRUPO.
Cada uma de nós, eu, Maria e Mara Braum fizemos uma escrita e juntamos tudo. Virtualmente claro!

Em nenhum momento nos desesperamos nem nos sentimos diminuídas pelos comentários das colegas (que por acaso foram só 2 que apareceram ali, onde estão os outros?) pois temos real consciência do trabalho que postamos.

Embora saibamos o quanto poderíamos fazer melhor, não fizemos.

Mas esse foi o primeiro de muitos que ainda faremos, como então acertar na primeira vez tudo? Não sobraria nada mais para aprender!

Pena que nem todos pensem assim...

Stela 03/05/09 às 21.20

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Psicologia da Educação II

ESTÁDIOS DE DESENVOLVIMENTO SEGUNDO PIAGET

“O estádio em que um indivíduo se encontra é radicalmente individual,
não pode pois, ser confundido com o de nenhum outro indivíduo”.
(Fernando Becker)

Um dos aspectos mais conhecidos da obra de Piaget é a Teoria dos períodos de desenvolvimento. No livro O Nascimento da Inteligência na Criança (1936), Piaget mostra como, “a partir dos primeiros reflexos com os quais a criança é dotada ao nascer, vão-se construindo, pouco a pouco, em interação com o meio, as condições necessárias para todas as posteriores conquistas cognitivas”.
O desenvolvimento do indivíduo inicia-se no período intra-uterino e vai até aos 15 ou 16 anos. Piaget diz que a embriologia humana evolui também após o nascimento, criando estruturas cada vez mais complexas. A construção da inteligência dá-se, portanto em etapas sucessivas, com complexidades crescentes, encadeadas umas às outras. A isto Piaget chamou de “construtivismo sequencial”. (José Luiz de Paiva Bello, 1995).
Para Piaget (1972) as idades de ocorrência dos estádios são variáveis de um sujeito a outro, porém isso não muda a ordem dos estádios pelos quais passam. O ordenamento desses estágios é que se mantém constante e a interação é única para cada indivíduo, conforme afirma Becker (2001).

ESTADIOS DO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO

Sensório-motor (0 a 24 meses)
Nesse primeiro período inicia-se a capacidade de representação da realidade. A inteligência sensório-motora se caracteriza por ser exclusivamente prática e perdura até o aparecimento da linguagem. Esse estádio limita-se a ações da realidade. A inteligência trabalha através das percepções (simbólico) e das ações (motor) através dos deslocamentos do próprio corpo. Sua linguagem vai da ecolalia (repetição de sílabas) à palavra-frase ("água" para dizer que quer beber água) já que não representa mentalmente o objeto e as ações. Sua conduta social, neste período, é de isolamento e indiferenciação (o mundo é ele) conforme José Luiz de Paiva Bello, em sua “Teoria Básica de Jean Piaget”, (1995).

Pré-operatório (2 a 7 anos)
Surgimento da função simbólica, desdobrando-se em período simbólico e intuitivo. Para Piaget, o que marca a passagem do período sensório-motor para o pré-operatório é o aparecimento da função simbólica ou semiótica, ou seja, é a emergência da linguagem. É a passagem da acomodação sensório-motora ao jogo simbólico. A capacidade simbólica é marcada pelo egocentrismo, em função da ausência de um equilíbrio entre os processos de assimilação e acomodação, pois há muitas assimilações deformantes da realidade, sem acomodação completa. Aqui a criança não é capaz de lidar com idéias diferentes das suas em relação a um determinado tema.

Nesse estádio o pensamento tende a centrar-se num único aspecto da realidade, liga-se mais aos sucessivos estados de um objeto do que as transformações pelas quais ele passa. O pensamento ainda é marcado pela intuição e percepção imediata da realidade, levando a soluções incorretas de problemas. O pensamento é irreversível: a criança não consegue converter relações.

Operatório-concreto (7 a 11)
Nesse estádio há reversibilidade do pensamento: a criança torna-se capaz de realizar operações, ações mentais, embora limitadas pelo mundo real. É capaz de cooperar; as discussões tornam-se possíveis porque respeitam o ponto de vista adversário, procurando justificativa ou provas para afirmação própria. Constrói operações lógicas de classificação e seriação, conservação física de substância, peso e volume, e conservações espaciais de comprimento, área e volume, e conceito do número.
As experiências mencionadas por Inhelder, Bovet e Sinclair (1977), mostram que essas estruturas operatórias não dependem da aprendizagem stricto sensu (empirismo). O real é quem define possibilidades, as possibilidades são uma categoria do real.

Operatório-formal (11 em diante)
Esse estádio é marcado pelo plano das possibilidades. Existe uma melhor compreensão do mundo no acesso ao campo das possibilidades.
Há o estabelecimento de relações, produzindo transformações e inversão nas relações entre real e possível.
É o ápice do desenvolvimento da inteligência e corresponde ao nível de pensamento hipotético-dedutivo ou lógico-matemático. É quando o indivíduo está apto para calcular uma probabilidade, libertando-se do concreto em proveito de interesses orientados para o futuro. É, finalmente, a “abertura para todos os possíveis”. A partir desta estrutura de pensamento é possível a dialética, que permite que a linguagem se dê em nível de discussão para se chegar a uma conclusão. Sua organização grupal pode estabelecer relações de cooperação e reciprocidade.

Piaget considera esses quatro períodos no processo evolutivo da espécie humana, como “aquilo que o indivíduo consegue fazer de melhor no decorrer das diversas faixas etárias, ao longo do seu processo de desenvolvimento (Furtado). Cada uma dessas fases é caracterizada por formas diferentes de organização mental, que possibilitam as diferentes maneiras do indivíduo relacionar-se com a realidade que o rodeia (Coll e Gillièron, 1987). De forma geral, todos os indivíduos vivenciam essas quatro fases na mesma sequência, porém o início e o término de cada uma delas pode sofrer variações em função das características da estrutura biológica de cada individuo e da riqueza (ou não) dos estímulos proporcionados.
A compreensão do processo como se dá o desenvolvimento da inteligência, por definição de períodos em que, cada indivíduo adquire novos conhecimentos ou estratégias de compreensão e interpretação da realidade é fundamental para que nós, professores, possamos também compreender com quem estamos trabalhando. Segundo Lima (1980, p. 131): “aceitar o ponto de vista de Piaget, provocará turbulenta revolução no processo escolar (o professor transforma-se numa espécie de ‘técnico do time de futebol’, perdendo seu ar de ator no palco). (...) Quem quiser segui-lo tem de modificar, fundamentalmente, comportamentos consagrados milenarmente (aliás, é assim que age a ciência e a pedagogia começa a tornar-se uma arte apoiada, estritamente, nas ciências biológicas, psicológicas e sociológicas).
A obra de Jean Piaget não oferece aos educadores uma didática específica sobre como desenvolver a inteligência do aluno ou da criança, apenas nos mostra que cada fase de desenvolvimento apresenta características e possibilidades de crescimento da maturação ou de aquisições. O conhecimento destas possibilidades faz com que os professores possam oferecer estímulos adequados a um maior desenvolvimento do indivíduo, conforme nos aponta José Luiz de Paiva Bello no texto “A teoria básica de Jean Piaget (1995).
Bibliografia:
BELLO, José Luiz de Paiva. A teoria Básica de Jean Piaget. Disponível em: http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/per09.htm. Acesso em: 27 abril. 2009
http://www.unicamp.br/iel/site/alunos/publicacoes/textos/d00005.htm
MARQUES, Tânia Beatriz I. Epistemologia Genética e Construção do Conhecimento. Disponível em: http://www.pead.faced.ufrgs.br/sites/publico/eixo6/psicologiaii/epistemologia_genetica_e_construcao_do_conhecimento.pdf. Acesso em: abril.2009